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Numeração oficial do SL Benfica

por sarahatesyou, em 03.09.16

(clicar para ver no tamanho original)

 

Para os interessados, deixamos aqui uma imagem com a numeração oficial do plantel principal do Benfica para esta época com as respetivas redes sociais!

 

 

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publicado às 23:40

Inferno na Luz

por sarahatesyou, em 14.02.16

 

in·fer·no |é|
(latim infernum, -i)
substantivo masculino
2. [Religião] Lugar destinado ao castigo eterno da alma dos pecadores, por oposição ao céu. (Geralmente com inicial maiúscula.)
6. Coisa desagradável.
7. Desassossego, sofrimento.
8. Grande confusão ou gritaria. = INFERNEIRA

 

Vídeos partilhados até à exaustão no Facebook. Inferno da Luz. Lotação esgotada. #EstáTudoAP3n5arNoMesmo. #KONoDragão. Tremam. #SejaOndeFor. Coreografias. O Benfica no seu pico de forma, o FC Porto à beira do abismo. Fotos de perfil com uma tarja a dizer #Juntos. Tudo fazia crer que o Inferno da Luz estaria de volta.

 

Mas não.

 

Antes do jogo o speaker pediu-nos que prestássemos atenção aos ecrãs do estádio. Começa então a passar o vídeo da moda; o público comenta, ovaciona e aplaude. Acaba o vídeo e o primeiro "SLB Glorioso SLB" é-nos incitado pelo speaker para ser logo de seguida interrompido pela explicação do que fazer durante a coreografia. A equipa nunca mais entrava em campo e o hino nunca mais começava quando, por iniciativa própria, a Catedral explode num "Benfica dá-me o 35" em uníssono, momento que seria de arrepiar, se o speaker não estivesse constantemente a interromper. Começa o hino - aquilo que devia ser o catalisador do Inferno, torna-se um mero momento de karaoke: letra a passar nos ecrãs gigantes e a música muito alta. As colunas conseguem abafar as vozes de mais de 60 mil pessoas. Terminado o hino, começa então a tocar uma música digna de discoteca. O estádio volta a explodir em cânticos de apoio, que mal se ouviam dado o volume da música, porém o speaker volta a intervir com o cântico da sua escolha. "Oh Sport Lisboa E Benfica, o campeão" deu duas voltas, o jogo começou e com ele os assobios.

 

Volta o Inferno na Luz.

 

Assobios e insultos ao defesa direito do FCP, o que seria de esperar. Porém quando não estavam a assobiar, estava tudo calado. Um ocasional "SLB Glorioso SLB" que dura pouco mais de dois minutos. E mais silêncio. Os No Name Boys foram fieis ao que costumam ser em Clássicos: mudos. Os Diabos Vermelhos pouco se faziam ouvir. O restante público estava no cinema.

Eu entendo a existencia de pessoas que não se sentem confortáveis a cantar, que gostam de ver "a bola" sossegados, mas num jogo com esta dimensão isso não pode acontecer. É obrigatório o apoio à equipa, não pode ser só de vez em quando. Os assobios a um jogador insignificante nunca podem ser mais importantes que o apoio ao Benfica.


Estar 90 minutos a ouvir a claque adversária não é o Inferno da Luz, é o Inferno na Luz. Não é um senhor de microfone ou uma votação da Eurosport que diz que somos os melhores adeptos do Mundo. Nós somos os melhores adeptos do Mundo, a tirar selfies, a partilhar vídeos do Guilherme Cabral e a pedir camisolas aos jogadores.

 

O mítico mas recente minuto 70 foi apenas uma amostra do que devia ser sempre. Nada nem ninguém está acima do clube. Apoiem o BENFICA!

 

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publicado às 00:22

Análise à 1ª jornada da Liga NOS

por P1nheir8, em 17.08.15

 

O Benfica iniciou ontem o caminho que todos esperamos que acabe com o tricampeonato. O adversário foi o Estoril, que veio jogar ao Estádio da Luz. Para este jogo, Rui Vitória fez algumas alterações na equipa que tinha defrontado o Sporting na Supertaça, como podemos ver na imagem acima. Surpreendente a saída de Samaris do 11, mas entre ele e Fejsa, num meio-campo a 2, só um pode jogar e a escolha caiu no sérvio.

 

Os primeiros 10 minutos de jogo foram muito divididos, muita luta e pressão das duas equipas. O Benfica tentava sair a jogar, mas tinha dificuldades em ultrapassar a linha do Estoril. A circulação de bola era feita muito baixa no terreno.

 

Mais 10 minutos de jogo, e mais do mesmo. Muita luta, muita correria, e pouco futebol, com nenhuma oportunidade para qualquer equipa. Dificuldades do Benfica em chegar perto da área contrária com a bola controlada. 

 

Aos 22 minutos a primeira ocasião de golo para o Benfica. Grande cruzamento de Gaitán, mas Jonas atira de cabeça ao lado. Menos de um minuto depois, grande cruzamento de Jonas, bola teleguiada para o pé esquerdo de Mitroglou, mas o grego acerta mal na bola. Aos 25 minutos, golo bem anulado ao avançado grego, após grande passe de Gaitán. 

 

Nova chegada do Benfica à área contrária aos 31 minutos. Cruzamento de Nélson Semedo que Mitroglou recebe, mas o remate é desviado por um adversário para canto. Aos 40 minutos, a grande oportunidade do Benfica na 1ª parte. Gaitán ganha a bola de cabeça e Luisão completamente cara a cara como o guarda-redes atira a bola à barra.

 

O jogo caminhava tranquilamente para o intervalo, sem nada de muito interessante acontecer, até que aos 46 minutos e após uma infantilidade inacreditável do Benfica, um jogador do Estoril se isola, mas Júlio César evita o golo com uma grande defesa. O jogo foi para o intervalo empatado a zero.

 

Esta não foi uma primeira parte muito bem conseguida pela equipa do Benfica em termos de futebol jogado. Júlio César esteve muito bem, como nos tem habituado desde que chegou. A equipa continuou a não conseguir chegar muitas vezes perto da baliza adversária com a bola controlada, e os lances de perigo nasceram de lances de cruzamentos ainda longe da área ou de bolas após os lances de bola parada. A posse de bola foi feita num espaço de terreno muito recuado e com pouca qualidade. A equipa falhou também muitas saídas a jogar, mas evitou ao máximo recorrer ao pontapé para a frente. Voltou a existir a tentativa de saída a jogar com o 3º central, mas depois as outras linhas estavam quase sempre muito longe.

 

O meio-campo não funcionou bem. Fejsa nota-se que ainda não está em grande forma física, apesar de ser enorme a defender, e Pizzi foi mesmo o pior jogador do Benfica. Se a defender sabemos todos que é muito sofrível, desta vez também o foi a atacar. Gaitán foi o melhor da equipa na 1ª parte, enquanto que Ola John pouco fez, apenas se notou mais a defender que a atacar. O extremos voltaram a fazer muitos movimentos interiores, deixando as alas para os laterais, e durante a 1ª parte já se viu os laterais do Benfica com mais acutilância ofensiva.

 

Jonas mostrou o que ainda não tinha mostrado este ano, jogando muito melhor e aparecendo entre linhas. Mitroglou teve uma boa oportunidade que acabou por falhar. Notou-se que ainda está longe da melhor forma e longe de se entender com os companheiros. 

 

 

Neste lance podemos ver as dificuldades posicionais de Lisandro e como ele muitas vezes joga demasiado baixo. Acabou por cortar o lance, porque é rápido e depois consegue recuperar, mas tem de estar muito mais atento a isto e posicionar-se melhor.

 

 

Aqui dois lances em que Pizzi está muito mal. No primeiro não vai fechar o espaço nem recua, mostrando grande passividade defensiva, e valeu Gaitán a ir cortar a bola. No segundo tem uma abordagem ao lance digna de um iniciado. 

 

 

Duas situações do Benfica a sair a jogar, mas com muito espaço entre o portador da bola e os companheiros de equipa. Ninguém desce para receber a bola entre as linhas do Estoril, ficando ali aquele enorme espaço no meio do campo, e assim fica muito difícil para quem leva a bola encontrar uma linha de passe.

 

 

Boa transição ofensiva do Benfica, com Eliseu a dar largura ao ataque, com Mitroglou e Jonas com superioridade numérica na área. Pena o passe ter saído com força a mais.

 

 

Os muitos jogadores que o Benfica coloca junto à bola, encurtando o campo e tentando fazer com que a equipa adversária não consiga sair a jogar dali.

 

 

O que Nélson Semedo consegue dar à equipa ofensivamente é isto. É um lateral com grande capacidade ofensiva.

 

 

Grande infantilidade por parte do Benfica. Luisão vai bater um livre e faz mal o passe. Jogadores mal posicionados. Lisandro poderia por exemplo estar mais perto de Luisão e mais recuado, dando assim uma linha de passe ao capitão. Depois a equipa perde a bola e o jogador do Estoril isola-se completamente.

 

 

Para a 2ª parte, Rui Vitória não mexeu na equipa, e entraram os mesmos jogadores em campo. Aos 47 minutos e após uma perda de bola do Benfica, Júlio César evita miraculosamente o golo do Estoril. Os primeiros 10 minutos da 2ª parte foram iguais ao que foi a 1ª parte, muita luta e pouco futebol. Aos 55 minutos e após uma boa jogada de ataque do Benfica, Jonas aparece numa situação de um para um com um defesa, mas a bola acaba por ser cortada para canto.

 

Rui Vitória mexe na equipa aos 60 minutos. Saem Pizzi e Ola John e entram Talisca e Victor Andrade. Os jogadores que entraram foram fazer as posições dos que saíram, nada mudou. A equipa mostrava a cada minuto que passava ainda mais ansiedade. Se na 1ª parte ainda se viram algumas ideias de jogo, por esta altura já se começava a jogar mais com o coração. Já se enviavam muitas bolas directas para a frente de ataque, em vez das tentativas de sair a jogar. Aos 67, minutos bom entendimento entre Jonas e Mitroglou, em que o avançado grego falha o golo depois de uma grande assistência de Jonas.

 

Chega o minuto 73 e chega a tão esperada explosão de alegria no Estádio da Luz. Boa saída a jogar por parte do Benfica, Gaitán com um grande cruzamento e Mitroglou a finalizar muito bem de cabeça na área. Com este golo, o Benfica quebrou um jejum de 428 minutos sem marcar.

 

A equipa empolgou-se com o golo, a pressão e a ansiedade diminuíram muito e o futebol começou a fluir. Grande penalidade a favor do Benfica aos 77 minutos e Jonas a marcar o seu primeiro golo no campeonato 15/16.

 

Poucos minutos depois, e após jogada de entendimento entre Nélson Semedo e Victor Andrade, o extremo brasileiro cruza para Jonas, que com um belo cabeceamento faz o 3-0. Aos 84 minutos, última substituição no Benfica, sai Mitroglou e entra Gonçalo Guedes. O jovem português foi jogar para o lado esquerdo do ataque, juntando-se assim Gaitán e Jonas na frente.

 

O Estoril foi abaixo no jogo e nunca mais conseguiu criar verdadeiro perigo para a baliza de Júlio César. Aos 89 minutos e após uma grande jogada do Benfica, Nélson Semedo marca o 4-0 para o Benfica. Que estreia do menino no Estádio da Luz.

 

O Benfica dominou a posse de bola até o jogo acabar e nada de mais importante se passou, acabando assim o jogo.

 

Esta 2ª parte e até ao golo, mostrou uma equipa do Benfica ainda mais ansiosa. Se na 1ª a equipa tentou sempre ou quase sempre sair a jogar e tentar chegar na frente com a bola controlada, na 2ª e com o passar dos minutos começou a jogar-se muito mais directo, o que também se percebe pelo passar dos minutos e com o jogo empatado.

 

As substituições foram muito importantes para a vitória do Benfica e vieram dar mais dinâmica à equipa. O Estoril também se foi abaixo fisicamente na 2ª parte, e depois do primeiro golo do Benfica eles quase que acabaram para o jogo. A equipa conseguiu ter muito mais presença na área do que aquilo que nos habituou até agora durante esta época. Júlio César foi determinante para a vitória, aparecendo a evitar dois golos feitos do Estoril.

 

 

Mais uma vez, a equipa do Benfica a encurtar muito o campo com muitos jogadores. Normalmente estes lances acontecem sempre em lançamentos laterais da equipa adversária.

 

 

Mais uma saída do Benfica a jogar com o 3º central. Gaitán tem feito sempre movimentos interiores, deixando a ala para o lateral. Jonas também a vir buscar a bola entre linhas, mas a distância é grande entre o portador da bola e os companheiros.

 

 

O muito tráfego que há no jogo interior do Benfica. Neste lance ninguém a dar jogo exterior à equipa, com todo este espaço para aproveitar.

 

 

A movimentação de Mitroglou no golo. Faz que vai para a frente e volta a dar dois passos atrás. O central também devido à movimentação de Jonas tenta fechar mais e depois já não tem hipótese de cortar a bola.

 

 

O lance do 3º golo do Benfica. Arrancada de Nélson Semedo que dá para Victor Andrade cruzar. Podemos ver na área o Benfica com superioridade em zona de finalização.

 

 

O último golo do Benfica. Bonita jogada com futebol apoiado e movimentos de ruptura na defesa contrária. A genialidade de Gaitán fez o resto, com Nélson Semedo a antecipar o que Nico ia fazer.

 

 

Esta acabou por ser uma boa vitória do Benfica, mas por números bem enganadores. Nem tudo está bem, nem tudo está mal, mas nota-se perfeitamente que a equipa precisava de um golo, e estava muito ansiosa não se conseguindo soltar. A equipa mostrou melhores ideias neste jogo, não recorreu tanto ao chutão que nos tinha habituado anteriormente. A pressão não foi tão boa, e o Estoril conseguiu sair várias vezes a jogar. Notei também a equipa pouco agressiva – no bom sentido – na disputa de lances e a perder vários bolas divididas e segundas bolas. A circulação de bola foi também muito baixa e muitas vezes com pouca qualidade e Rui Vitória tem de arranjar maneira de conseguir com que a equipa ultrapasse com mais qualidade a pressão e linhas dos adversários. Com os laterais tão projectados ofensivamente nas saídas a jogar, o Benfica não pode falhar tantos passes nessas saídas, pois aí a equipa estará muito descompensada. Equipa finalmente conseguiu ter mais presença na área, e isso acabou por fazer a diferença.

 

A defesa não esteve mal, apesar do Benfica ter passado por vários calafrios e ter dificuldades no controlo da profundidade. Luisão é muito importante para a equipa. Lisandro fez um bom jogo, é um central que dá muito nas vistas, faz inúmeros cortes e isso faz com que pareça que está sempre bem no jogo. No entanto, o seu posicionamento tem de ser melhorado, já que está inúmeras vezes mal posicionado e tem a tendência de jogar muito baixo e recuar a linha defensiva. É melhor tecnicamente que Jardel, e com isso sai a jogar com mais facilidade e qualidade. Eliseu também fez um jogo razoável, mas o Benfica precisa de um verdadeiro lateral esquerdo. Nélson Semedo brilhou, apesar de ainda mostrar várias lacunas defensivas e de posicionamento - não tantas como seria de esperar já que grande parte das vezes que foi apanhado fora da posição se deveu a estar avançado no terreno nas saídas a jogar do Benfica - , mas isso é normal que ainda está a crescer e aprender. É um lateral que dá muito à equipa ofensivamente, é um desequilibrador. É também um poço de forças, aos 93 minutos ainda andava a atacar pelo seu corredor como se fosse aos 5 minutos de jogo. Mereceu o golo que marcou.

 

Fejsa e Pizzi não funcionaram bem, e a equipa precisa de um número 8 que entre de caras na equipa. Entre Samaris e Fejsa não há grande diferença, na posição 6 o Benfica pode dormir descansado. Gaitán voltou a mostrar que é o jogador mais genial do campeonato, fazendo um enorme jogo e Ola John notou-se mais pelo trabalho defensivo que ofensivo.

 

Mitroglou e Jonas ainda não se entenderam muito bem, apesar de ter havido várias boas indicações. O grego ainda está em má forma e sem ritmo, mas fez aquilo que tão bem sabe, marcar golos, apesar de duas falhas em que devia ter marcado. Jonas já foi parecido ao Jonas da época passada que tanta magia espalhou pelo campeonato. 

 

Talisca a Victor Andrade entraram muito bem. Quem vê Victor Andrade e quem o viu. O jogador cheio de limitações que mostrou ser no ano passado, mudou completamente, e eu que fui grande crítico dele, visto o que mostrava no ano passado na equipa B. Fez no ano passado um dos piores jogos que vi um jogador profissional fazer ao vivo, mas este ano está completamente diferente e espero que me continue a deixar sem palavras. Talisca também esteve bem, mas acho que não serve para a posição 8.

 

Palavra para Rui Vitória, não teve medo em apostar em Victor Andrade, e em Talisca para a posição 8. Estes dois jogadores vieram revolucionar um pouco o jogo. Muito bem nas substituições. Ainda há muito para melhorar, precisa de dois reforços - número 8 e lateral esquerdo - e que a equipa agora com esta vitória se liberte e comece a jogar verdadeiramente. Esta semana há mais, todos a Aveiro.

 

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publicado às 18:00

Negar Vs Afirmar, Maxi Vs Aimar

por MonstroDasCuecasRotas, em 20.07.15

 

Durante as últimas épocas, discutiu-se muito um suposto fim de ciclo no futebol português e uma consequente passagem de testemunho na hegemonia do mesmo. Creio que a generalidade dos benfiquistas concordarão comigo se disser que é demasiado cedo para concluir essa passagem de testemunho, mas não posso dizer o mesmo em relação ao fim de ciclo. O fim de ciclo é um dado adquirido. O Benfica, com os sucessos das últimas épocas, causou um efeito de tal forma negativo na moral do FCP que a fórmula que esteve na base de décadas de sucesso parece ser já coisa do passado. Cada acto da nova gestão desportiva se traduz na assunção de que já não se consegue derrotar o Benfica usando a estratégia de sempre. O FCP da "estrutura", o exemplo europeu de gestão desportiva, que comprava barato para vender caro, que dominava o mercado nacional, que construía equipas à volta dos símbolos da sua mística, é coisa do passado, acabou. O Benfica ainda não consumou um novo paradigma, mas consumou o fim do anterior. O principal rival é hoje um clube vergado à força das circunstâncias, obrigado a seguir um rumo que talvez nem os próprios dirigentes saibam muito bem qual é e muito menos saberão os seus adeptos. Ganhando ou perdendo, o clube mudou drasticamente, restando apenas saber com que consequências para o seu futuro. É que o dinheiro está a aparecer de algum lugar e quem lá o coloca não ficou rico por caridade.

 

Maxi Pereira é um excelente exemplo da mudança, por todas as razões, e tão pouco é preciso falar da idade. Em primeiro lugar, é um jogador que valeria sempre mais no Benfica do que valerá no FCP, por tudo o que os adeptos acreditavam que ele significava, por ser sub-capitão, ter margem para errar e consequentemente jogar com um almofada de confiança que em nenhum outro clube poderia ter. O Benfica seria o único clube que aceitaría vê-lo envelhecer com dignidade, sem o tratar como mercadoria ao primeiro sinal de falta de pernas. Em segundo lugar, nem mesmo no Benfica justificaría o salário que irá receber no rival.

 

Mas claro que o FCP não olhou para as coisas desse modo apenas, percebeu que a força desta acção estaría mais do ponto de vista da nossa destruição do que da sua construção. É uma jogada que procura resultados pela negativa, não pela positiva. Gastar-se-à muito para ganhar algo que será sempre inferior àquilo que o rival perderá. Mais do que uma contratação, é uma tentativa de enfraquecimento do rival. Deste ponto de vista, nem é algo novo, já que viver em função da rivalidade com o Benfica, sempre caracterizou os portistas - daí que quando o clube ganha, não se se celebre o portismo, com genuina alegria, mas se celebre acima de tudo o ódio, a negação, do Benfica, dos mouros, da capital, do centralismo - mas ceder ao ponto de contratar um dos jogadores mais atacados pelos adeptos e pela própria máquina de propaganda do clube, um jogador que poucas semanas antes aconselhou os azuis a lembrarem-se da forma menos clara como têm ganho os seus campeonatos, mostra bem o grau de desespero a que se chegou e o quão irrelevante a famosa mística se tornou para os responsáveis do clube.

 

E com isto, queria sobretudo chegar aqui: o Benfica parece seguir o seu rumo sem ceder a este tipo de postura, não alimentando o clima de guerrilha. Pecou em não ter retirado de imediato a sua proposta de contrato quando Maxi decidiu aproveitar a fraqueza dos benfiquistas com a ferida chamada Jesus ainda aberta e fazer chantagem nos jornais com uma possível ida para os rivais. Tirando isso, a postura tem sido basicamente inatacável. O Benfica tem-se mostrado convicto nos seus objectivos, no seu rumo e nos seus métodos, que, por sua vez, nada têm a ver com ataques aos rivais ou retribuições de alfinetadas. Esta pré-época tem sido um ataque feroz ao Benfica, a meu ver pior que o verão quente de 93, porque é um ataque que vem de ambos os lados, mas temo-nos aguentado como se exige a um clube com a nossa dimensão. O Benfica deve ser isso, vivendo pela positiva, com a preocupação primária de se construir e não destruir os outros , com um rumo claro que jamais coloque em causa a independência e sustentabilidade futura do clube. Pelo Benfica de hoje e de amanhã. A nossa força não é a de sermos os mais ricos, nunca foi. É que, como diria um tal de Cosme Damião, "No imediato o dinheiro vence a dedicação. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro". O primeiro passo para voltarmos a ser o Benfica nos relvados é sermos o Benfica fora deles. Assim tem sido e que assim continue.

 

Se Maxi decidiu tornar-se no maior traidor da história do Benfica, odiado para sempre pelos benfiquistas e visto por todos como não mais do que um qualquer mercenário, outros jogadores souberam deixar a sua marca no coração dos benfiquistas... até ao fim dos tempos e mais além:

 

Pablo Aimar, um dos jogadores mais elegantes da história do futebol, pendurou as pantufas. Porque era de pantufas que jogava. Quando recebia com a ponta do pé aquelas bolas longas vindas das suas costas, como se de um passe de 5 metros de tratasse, como fez naquele maravilhoso golo à Académica. Quando conduzia a bola gesticulando para os colegas ao mesmo tempo que bailava em frente aos adversários para os tirar do caminho, como naquele brilhante golo ao Paços de Ferreira. Quando brincava aos cabritos, recepções e golos sem deixar a bola cair, como naquela memorável noite com o Setúbal na Luz. Quando reinventava o significado dos passes de letra, com aquele toque de bola só dele, como fez em Guimarães. Tenho orgulho em dizer que comprei a camisola com o nome e número de Aimar quando na altura se dizia que poderia estar de saída do Benfica. Para mim não importava, porque Aimar, esse sim, é o protótipo daquilo que considero o jogador à Benfica: abnegado, dedicado, corajoso, talentoso e leal. Como Coentrão, como Paneira, como Rui Costa, como teria sido Bernardo, se o tivessem deixado. Não chega correr muito e ser viril para ser um jogador à Benfica. Pelo menos para mim.

 

Mais raro do que o talento de Aimar, só a humildade com que vivia esse talento, genuinamente. Depois de Rui Costa na minha adolescência e juventude, Aimar é provavelmente a minha maior paixão futebolística, o jogador que mais admirei, que mais me fez sonhar ser um determinado jogador do Benfica, que mais me tornou de novo menino. Jogador de um carisma difícil de explicar, Aimar era simplicidade e classe, humildade e categoria. E tudo isso, Aimar foi-o no Benfica, clube pelo qual sempre demonstrou uma admiração profunda e sincera. O único consolo, meu e de tantos benfiquistas, será vê-lo servir o Benfica fora das quatro linhas. Porque sabemos que será altamente competente seja qual for a área que agarrar? Não, porque é dos nossos e estará perto. Porque é o Aimar, mais do que um jogador à Benfica, uma figura à Benfica.

 

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publicado às 12:13

O caminho para o Tri

por P1nheir8, em 05.07.15

 

Realizou-se ontem o sorteio da Liga NOS 2015/16. E por escrever sorteio, já estou a ser muito simpático, visto isto ser cada vez menos um sorteio. Demasiadas condicionantes, se algumas ainda se percebem como as que são relativas às equipas da ilha da Madeira, as que são para Benfica, Porto e Sporting são patéticas. Não há muito a fazer, quem acha que isto deve ser assim, continua a achar e não será mudado. Em Portugal há sempre a ideia de se querer ser diferente dos outros, mas na quase totalidade das vezes é para pior.

 

Olhando para aquilo que foi sorteado para o Benfica, parece um sorteio bem agradável. Para começar, temos 4 jogos de dificuldade relativamente baixa, sendo 3 deles em casa, contra Estoril na 1ª jornada, Moreirense e Belenenses na 3ª e 4ª e a deslocação a Arouca na 2ª jornada. Isto antecede a viagem ao Dragão na 5ª jornada. Exigem-se 12 pontos nestes 4 primeiros jogos, e menos que isso será mau.

 

Depois da deslocação ao Dragão, recebemos o Paços de Ferreira, de seguida uma viagem à Madeira para defrontar o União e na 8ª jornada recebemos o Sporting em casa. Serão 4 jornadas completamente diferentes das primeiras, com um nível de dificuldade bem mais alto, mas que espero um Benfica forte.

 

O Benfica irá a Braga na 11ª jornada, depois de ir a Tondela e receber o Boavista. Esta viagem a Braga tem sido uma das mais difíceis dos últimos anos. Depois disso teremos 3 jogos de dificuldade mais baixa, com a recepção à Académica, deslocação a Setúbal, seguido do Rio Ave em casa, antes do diabólico fim de 1ª volta.

 

O mês de Janeiro será um mês bem difícil. Esta época teremos 3 jogos no espaço de uma semana para o campeonato. A jornada 15 contra o Guimarães fora de casa, a 16 contra o Maritimo em casa e a 17 na Madeira contra o Nacional, irão disputar-se no espaço de uma semana. Será, com datas provisórias de dia de jogo, entre 2 e 10 de Janeiro. Para além da dificuldade que é fazer 3 jogos em 8 dias, dois deles serão deslocações bem difíceis. Estas jornadas marcarão o fim da 1ª volta.

 

Nesta 1ª volta, o Benfica irá deslocar-se a casa do 2º, 4º, 5º e 7º classificados da temporada passada. A 1ª volta parece na teoria bem mais difícil que a 2ª, com mais deslocações de nível de dificuldade alto, o que até acho que pode ser positivo, para depois na 2ª volta receber essas mesmas equipas em casa.

 

Na 2ª volta antes de recebermos o Porto, teremos duas saídas fora de casa, a Moreira de Cónegos e a Belém.

 

O fim de campeonato será difícil, assim como é o fim da 1ª volta. Viagem a Vila do Conde, depois Vitória de Guimarães em casa, viagem à Madeira para defrontar o Marítimo e terminar o campeonato em casa com o Nacional, jogo esse que todos esperamos que seja de consagração.

 

Como já disse, pareceu-me um sorteio bem simpático, principalmente aquelas 4 jornadas iniciais com jogos de nível de dificuldade baixa, numa altura em que a equipa ainda não terá assimilado totalmente as ideias de Rui Vitória e os reforços ainda não estejam completamente entrosados com a equipa e o clube.

 

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publicado às 17:55


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