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Análise ao Benfica vs Sporting

por R_9, em 26.10.15

 

Ontem, na 8ª jornada da Liga NOS, o Benfica recebeu em casa o Sporting, no derby que faz parar o país. Para este jogo, Rui Vitória não mexeu na equipa que defrontou o Galatasaray na última 4ª feira, tendo apresentado o mesmo 11 inicial.

 

O jogo começou algo dividido, mas com o Benfica a estar um pouco por cima, chegando mais perto da baliza de Rui Patrício. No entanto, na 1ª vez que o Sporting vai à baliza, marca golo. André Almeida perde a bola e Teo marca o primeiro golo da partida, depois de passe de Adrien.

 

O Benfica tentou responder ao golo do Sporting, pressionando e chegando perto da baliza adversária. Jonas atira ao lado, após passe de Gonçalo Guedes e depois chega atrasado a um cruzamento de Gaitán. Com o passar dos minutos, o ritmo de jogo foi baixando e o Benfica já não estava a ter tanta bola.

 

Aos 22 minutos, o 0-2 no marcador. Cruzamento de Jefferson na esquerda e Slimani a cabecear sozinho na área, fazendo o segundo golo do jogo. Perto dos 30 minutos de jogo, o Benfica cria perigo, mas o remate de Jonas sai por cima da barra. Já se notava muito nervosismo em vários jogadores do Benfica.

 

De contra-ataque, o Sporting faz o 0-3 aos 36 minutos, por Bryan Ruiz. O Benfica acusava muito os golos adversários e a equipa estava de cabeça perdida. Nada saía de bom no jogo. Faziam muitas faltas e pressionavam com pouca cabeça.

 

O intervalo chegou mesmo com o Benfica a perder por 0-3.

 

 

A equipa de Rui Vitória não entrou mal no jogo, mas com os golos do Sporting a sucederem-se, a 1ª parte tornou-se um pesadelo. Nunca se conseguiu arranjar antídoto para a presença de João Mário no meio-campo, quando saía do lado direito do ataque. Depois a equipa continua péssima a reagir à perda e a fazer a transição defensiva, e isso custou muito caro. Perdemos a bola, mas depois a pressão é feita sem grande critério e somos facilmente ludibriados pelos adversários. Muito passivos defensivamente, e com pouca atitude.

 

Não conseguimos ter uma única verdadeira oportunidade de golo em 45 minutos, o que é muito preocupante. A posse de bola foi com fraca qualidade e só a tínhamos até certo ponto. Quando se entrava em zonas mais na frente, não conseguimos ultrapassar a pressão do Sporting, a não ser com a lateralização do jogo. Saídas a jogar também sofríveis.

 

Júlio César ficou mal na fotografia no 1º golo, dando a ideia que a bola lhe escorregou da mão. Os laterais pouco deram ao jogo da equipa, tanto ofensivamente como defensivamente. Os centrais tiveram dificuldades com as movimentações dos dois avançados e com o espaço que eles procuravam entre a defesa e meio-campo do Benfica, posicionando-se várias vezes mal. A dupla de meio-campo não esteve bem. Pressão pouco eficaz, perdas de bola e dificuldade perante a inferioridade numérica.

 

Gaitán tentou fazer tudo sozinho, mas para a frente. Já para trás, que corressem os outros. Guedes pouco apareceu. Jonas também teve pouco espaço. Jorge Jesus conhece o jogo dele e tentou evitar que existisse aquele espaço entre linhas para ele jogar. Raúl Jiménez andou por muitos sítios, mas acabou por não estar em nenhum. Correu muito, mas com pouco critério.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Só assim o Benfica conseguia chegar com a bola na área.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para a 2ª parte, Rui Vitória fez uma alteração. Entrou Fejsa e saiu Eliseu. André Almeida foi para lateral esquerdo e Fejsa foi colocar-se no meio-campo. Logo aos 47 minutos, Fejsa leva cartão amarelo.

 

O Sporting controlava o ritmo do jogo. O Benfica jogava muito com o coração e pouco com a cabeça, e pouco ou nada de bom criava no jogo. O Sporting quase volta a marcar aos 57 minutos, mas o remate de Jefferson sai ao lado da baliza de Júlio César. Fejsa sai lesionado aos 67 minutos, e para o seu lugar entra Pizzi.

 

A equipa de Rui Vitória não conseguia criar nenhum lance de perigo. Era uma equipa lenta e muito previsível em campo. O Sporting ia trocando a bola, pressionando e gerindo o ritmo de jogo conforme lhe dava mais jeito. Aos 69 minutos, a única grande oportunidade do Benfica no jogo. Raúl Jiménez evita que a bola saia, deixando Naldo para trás, mas não consegue finalizar depois a jogada. Pouco depois, Samaris também leva algum perigo para a baliza de Rui Patrício, depois de um remate de longe.

 

Pizzi, aos 77 minutos, atira ao lado da baliza de Rui Patrício, depois de uma das poucas vezes que o Benfica conseguiu chegar com a bola controlada na frente. Depois desse lance, Rui Vitória faz a 3ª substituição. Entra Mitroglou e sai Gonçalo Guedes, passando Jiménez para o lado direito.

 

Já existiam mais espaços neste momento e o Sporting já deixava jogar mais, mas nem assim a equipa de Rui Vitória criava grande perigo. Num lance caricato aos 88 minutos, Luisão quase marca autogolo, mas Júlio César consegue evitar quase em cima da linha.

 

O jogo acabou pouco depois, com o Benfica a perder em casa contra o Sporting por 0-3.

 

 

Não há muito a dizer desta 2ª parte. Benfica continuou uma equipa muito lenta e previsível, com uma qualidade de pressão e de posse de bola muito fraca. Jogadores completamente desinspirados e com falta de atitude. A equipa chegava sempre atrasada aos lances, já que os jogadores estavam sempre distantes.

 

A defesa acabou por melhorar um pouco, fechando melhor os espaços. A pressão continuou a ser muito fraca. No meio-campo pouco se notou a entrada de Fejsa ou Pizzi. Guedes desaparecido, Gaitán a jogar só para a frente e muito individualista. Jiménez e Jonas continuaram desaparecidos no jogo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este foi um péssimo jogo do Benfica. Aliás, não foi péssimo, foi vergonhoso. Não há que passar a mão pelo pêlo ou fazer cafunés na cabeça. Há que se assumir as responsabilidades do que se passou em campo. O Benfica perdeu em casa por 0-3 com o Sporting. Repito. O Benfica perdeu em casa por 0-3 com o Sporting. E tudo isto com 3 golos em 45 minutos. Mais. O Benfica apenas criou uma oportunidade de golo durante o jogo todo e que acabou por acontecer devido a um erro de Naldo e insistência de Raúl. Isto é bastante preocupante.

 

A atitude dos adeptos foi, de facto, de grande valor durante aqueles cânticos aos 70 minutos. Foi, no entanto, uma declaração de amor ao clube, não ao que se passou dentro do campo. Essa não pode ser a questão central de um jogo onde o Benfica perde em casa por 0-3 com o seu maior rival. E depois de termos sido completamente vergados em campo, as questões ao treinador do Benfica e as respostas, prendem-se muito com a atitude dos adeptos. Afinal o que estava em causa não eram os 3 pontos? Isto acontece depois de semanas em que tudo se disse do clube, em que se pediu a resposta em campo, mostrar o orgulho ferido, e o que aconteceu foi isto. Ainda somos o Benfica. Há que existir exigência.

 

Não percebo Rui Vitória. Diz que a equipa estava completamente preparada para o jogo, mas não estava. Tirando aqueles minutos iniciais, o jogo foi sempre jogado da forma que interessava ao Sporting. Não estava preparada para as movimentações de Teo, para os movimentos de João Mário, para a subida em bloco da defesa, para arranjar soluções na saída de bola, para jogar sem Jonas no espaço entre linhas, para os cruzamentos de Jefferson, para os contra-ataques, e podia continuar.

 

Rui Vitória diz que as suas equipas têm de saber reagir à perda da bola, mas neste jogo existiu um mundo e mais alguns de diferença entre as duas equipas. A posse de bola foi fraca, lenta e previsível. A transição defensiva foi péssima. E pior, a atitude em campo foi lamentável. Já nem vou pegar nas substituições, não vale a pena.

 

Eu sei que não tens culpa de muitas lacunas que existem no plantel, mas o que se passou é muito mau. Cria soluções, não insistas em algo que já viste que não serve. Onde anda o Cristante, Carcela, Djuricic, Renato Sanches, João Teixeira? E acho que Mitroglou devia ter jogado neste jogo, segurando mais a defesa do Sporting, tendo também mais presença na área. Sei que não é rápido, mas tem marcado. Depois colocamos um avançado a médio ala nos últimos minutos.

 

Rui, isto é o Benfica. Não é só falar na família Benfiquista, nos processos, no rumo. Nesta altura, já há que mostrar muito mais em campo. O que é certo é que em 3 jogos contra Porto ou Sporting, o Benfica tem 3 derrotas. O que é certo também, é que em 12 jogos oficiais do Benfica este ano, já se contam 5 derrotas.

 

Exigem-se melhorias, muitas melhorias e o assumir de responsabilidades do que se passou. Lá estaremos 6ª feira em Aveiro, onde é mais do que obrigatório ganhar.

 

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publicado às 18:57

Análise ao Galatasaray vs Benfica

por R_9, em 22.10.15

 

Na 3ª jornada do Grupo C da Liga dos Campeões, o Benfica deslocou-se à Turquia para defrontar o Galatasaray. Rui Vitória apresentou a equipa que se esperava, colocando Raúl no lugar de Mitroglou e Sílvio a lateral direito. Júlio César, Sílvio, Luisão, Jardel, Eliseu, Samaris, André Almeida, Gaitán, Gonçalo Guedes, Jonas e Raúl Jiménez. Foi esta a equipa titular para o jogo.

 

O Benfica começa o jogo da melhor maneira e adianta-se no marcador aos 2 minutos. Grande passe de Jonas e Gaitán a finalizar de forma brilhante. Até aos 10 minutos, o jogo esteve algo dividido. Benfica a tentar controlar, jogando em ritmo baixo e o Galatasaray a tentar chegar perto da baliza de Júlio César, colocando já alguma pressão no jogo. Começava a existir superioridade da equipa da casa, tendo mais bola. Quando não a tinha, recuperava rápido.

 

O Galatasaray ia criando cada vez mais perigo junto da baliza de Júlio César. Aos 18 minutos de jogo, grande penalidade a favor da equipa da casa, após braço na bola de André Almeida. Inan, empata o jogo. O jogo acalmou um pouco e a pressão da equipa da casa já não era tão grande. Mesmo assim, estavam por cima no jogo.

 

Desatenção da defesa do Benfica aos 33 minutos e Podolski dá a volta ao marcador. O Galatasaray desceu bastante o seu ritmo em campo depois do golo, permitindo ao Benfica ter mais bola e estar mais confortável até ao fim da 1ª parte.

 

O jogo caminhou para o intervalo, sem que nada de grande revelo se tivesse passado. Galatasaray foi para os balneários a vencer por 2-1.

 

 

A equipa do Benfica não podia ter tido um inicio melhor de jogo. Marcar cedo e adiantar-se no marcador, foi uma grande entrada. O pior foi a forma como a equipa reagiu a esse golo. Deixou-se dominar completamente, deixou de tentar jogar e de ter bola, sucumbindo perante um adversário que dominou o jogo até conseguir virar o resultado, sem que a equipa de Rui Vitória fizesse grande coisa para o contrariar.

 

A defesa abriu muitos espaços, muito devido a saírem ao homem e depois as zonas de cada um terem ficado completamente descompensadas. Faltou também agressividade defensiva e vislumbraram-se muitas lacunas no posicionamento. Os laterais pouco ou nada deram ao jogo ofensivo e mesmo a defender foram bastante sofríveis. André Almeida e Samaris foram tentando tapar alguns espaços que apreciam, mas nem sempre bem e com qualidade. Tiveram pouca bola e deram pouco ofensivamente à equipa.

 

Gaitán marcou um belo jogo, e tentou um pouco remar contra a maré, mas sem grande consistência. Gonçalo Guedes também pouco se viu e nem nas tarefas defensivas apresentou a qualidade que vinha demonstrando em jogos anteriores. Jonas esteve desaparecido do jogo, estando muito recuado. Com as descidas de Raúl para vir buscar bola, ele não se sente tão confortável no jogo, ou pelo menos foi o que pareceu. Raúl também pouco apareceu, perdeu algumas bolas e não conseguiu ser a referência no ataque.

 

 

Grande jogada de Jonas no início do jogo. Da falta sofrida, ia resultar o golo.

 

 

O golo de muita classe de Nico Gaitán e o grande passe de Jonas.

 

 

Saiu Nélson Semedo da equipa, mas Sílvio também sai sempre o homem, sendo André Almeida a ir fazer a compensação quando consegue. Se antes tinha dúvidas, agora é quase certo que isto é estratégia.

 

 

André Almeida a transformar a saída a jogar com 3 centrais.

 

 

Boa e rápida recuperação defensiva da equipa, depois da bola ser perdida. Muito bem Samaris a fechar o meio e a obrigar o jogador a entregar na linha.

 

É Luisão que sai a Sneijder, mesmo com vários jogadores do Benfica por perto. Depois, não há compensação e abre-se uma clareira entre os dois centrais e no espaço mais perigoso. O do centro do terreno. 

 

 

Eliseu a vir tapar a linha de passe para o árbitro assistente.

 

 

Mais uma vez, Luisão perdido, sem nunca se entender com Sílvio e com o posicionamento entre eles e compensações. Por sorte, não foi Sneijder a receber o passe no meio. Se fosse ele, teria isolado aquele jogador que ficou com a linha aberta para a baliza. Acho que as coisas ali andam confusas, com zonas e marcações ao homem, tudo misturado. Era mais fácil Luisão esperar pela diagonal do adversário, ficando na sua zona e Sílvio com o homem que foi aparecer do lado dele.

 

 

Sílvio sai muito na linha, não há compensação de Samaris ao homem que se desmarcou e a defesa não está alinhada. Problema detectado na linha defensiva e na abertura dos laterais foi recorrente e ia criar dissabores nos lances dos golos.

 

 

Mais uma vez, Sílvio muito aberto. Sneijder consegue receber de costas e fazer logo o passe naquela situação, aproveitando o enorme espaço entre central e lateral numa situação destas.

 

 

E que tal se ir para dentro, Eliseu?

 

 

Estava dado o mote para o que se ia passar dois minutos depois.

 

 

Lance do segundo golo do Galatasaray. A única linha de passe onde a bola entrava, foi a que deu golo e era a mais perigosa também. Eliseu com os apoios virados para fora, e a aguardar que a bola fosse entrar na linha, mesmo Gaitán estando a tapar essa linha de passe. Com isso, não fecha dentro, espaço entre ele e Jardel e golo. Podemos ver no lance uns a marcarem junto ao homem e outros zona. Linha também mal definida, com os dois centrais mais atrás que os laterais. A bola não pode nunca entrar no espaço ao meio. É o mais perigoso e passou entre 4 jogadores do Benfica.

 

 

Bom passe de Samaris e bom movimento de Sílvio, mas faltou presença na área.

 

 

Luisão mais uma vez  ir a uma zona com gente e depois é correr atrás do prejuízo.

 

 

Falta de agressividade defensiva. Jogador recebe a bola dentro da área e tem tempo para chutar. Dois homens soltos na entrada da área e ainda outro que se movimenta na direcção da baliza. Samaris a recuar a passo.

 

 

Para a 2ª parte, não existiram alterações. Entrou a mesma equipa em campo. Logo de entrada, Jonas tem um remate perigoso, mas Muslera consegue defender bem. Pouco depois, Sneijder atira ao poste, depois do remate ter sido desviado. Num dos seguintes lances, é Júlio César que evita o 3-1, com uma grande defesa, após um canto. No minuto seguinte, é Jonas que remata de fora da área com algum perigo, mas a bola sai ao lado. Eram minutos com perigo em ambas as balizas.

 

Aos 54 minutos, boa saída do Benfica para o ataque, mas Gaitán remata ao lado. Mais um bom lance de ataque do Benfica, mas o remate de Jiménez é defendido por Muslera. Eram momentos de domínio da equipa de Rui Vitória, com os lances perto da baliza de Muslera a sucederem-se.  Desta vez, é um defesa a cortar o remate de Gaitán quase em cima da linha de golo.

 

Rui Vitória mexe pela primeira vez na equipa aos 66 minutos. Sai Eliseu e entra Pizzi. Sílvio passou para lateral esquerdo, André Almeida para lateral direito e Pizzi foi colocar-se junto a Samaris no meio-campo. O Benfica estava claramente por cima do jogo, o Galatasaray já só saía em contra-ataque. Aos 68 minutos, é Jonas que vê o seu remate a ser desviado por Jiménez, quando podia levar muito perigo.

 

Aos 75 minutos a segunda substituição no Benfica. Sai Gonçalo Guedes e entra Victor Andrade. O jogo caminhava para o fim, sem existirem lances de grande perigo em nenhuma das balizas. Pizzi e Victor Andrade pouco ou nada vieram dar ao jogo da equipa, de positivo. Rui Vitória esgota as substituições aos 81 minutos, entrando Mitroglou para o lugar de Sílvio. Pouco depois de entrar, o avançado grego surge a rematar à malha lateral da baliza de Muslera.

 

Pizzi perde a bola, e Júlio César evita o 3-1, com uma grande defesa aos 86 minutos. A derradeira oportunidade do Benfica surge aos 91 minutos, mas o defesa do Galatasaray corta o lance quando a bola se dirigia para a cabeça de Luisão. O jogo acabou por chegar ao fim com a equipa da casa a vencer por 2-1.

 

 

A 2ª parte foi muito melhor por parte do Benfica. A equipa foi principalmente muito mais agressiva na procura da bola e isso fez toda a diferença. Continuaram a existir problemas, mas muito menos que na 1ª parte. Teve mais bola e mais oportunidades de golo, que infelizmente não concretizou. O Galatasaray também cedeu fisicamente - apesar de ter tido também várias oportunidades - e isso ajudou a que o Benfica mandasse mais no jogo. 

 

A equipa chegou com a bola mais perto da baliza adversária, mas pecou tanto na finalização como na decisão. Alguns lances podiam ter sido decididos de maneira diferente e não o foram.

 

A defesa manteve-se mais ou menos como na 1ª parte, melhorando em termos posicionais. Já não existiram bolas nas costas e a linha esteve muito melhor. Samaris fez uma boa 2ª parte, tentando defender e atacar enquanto as forças o permitiram, mas continua a falhar alguns passes que poderiam ser muito importantes. Jonas teve mais espaço, e conseguiu jogar mais, mas não conseguiu ser tudo aquilo que nos habituou.

 

As substituições não vieram trazer grande coisa ao jogo do Benfica. Os jogadores que entraram pouco contribuíram para a possível mudança do rumo de jogo. Palavra para Júlio César, foi mais uma vez um muro na baliza do Benfica.

 

 

Sneijder a receber sozinho a bola no meio. Teve de ser o lateral direito a vir tentar fechar, deixando o extremo para Gonçalo Guedes.

 

 

Gaitán opta pelo remate mas temos Eliseu a subir pelo corredor, com possível situação de 3 para 2 junto da baliza de Muslera.

 

 

Uma boa jogada do Benfica. Quando Gaitán ecebe, podia ter virado e depois sim decidir o que fazer, mas entregou logo em Raúl.

 

 

A passividade defensiva do Benfica a permitir que aquela bola entre em Sneijder e ele toque de primeira para Podolski.

 

 

Tenho a bola, vou olhar para a área, vejo 4 defesas adversários contra o Gaitán. O que é que faço? Cruzo. Sou o Pizzi.

 

 

Nem parece teu, Jonas.

 

 

Situação de 3 para 2 por parte do Benfica no contra ataque. Da forma como o lance ocorreu e de como os 2 defesas o fizeram, parece-me que havia duas boas soluções para Gaitán. Ou servia logo a possível diagonal em velocidade do Guedes, ou antes daquele último toque dá em Guedes e vai receber na frente. Era difícil o passe entrar em Raúl que aparece na esquerda apesar de ser possível antes do desarme. Mérito para os dois defesas do Galatasaray nunca perderam o norte e assim que Gaitán toca mais longo, um deles desarma. Aquele toque mais longo, foi fatal.

 

 

Sou o Victor Andrade e mesmo sozinho perante dois adversários, vou na iniciativa individual e para a linha.

 

 

Samaris devia ter entregue em Gaitán e depois ele sim, ou fazer o passe para Jonas ou para Raúl.

 

 

Foi por pouco.

 

 

Deste jogo, fica um grande sabor amargo. Era, claramente, uma equipa ao alcance do Benfica. Aqueles 30/35 minutos na 1ª parte acabaram por fazer toda a diferença no resultado final. O resultado mais justo até era bem capaz de ser o empate, mas elas contam é dentro da baliza. E aí o Galatasaray foi mais eficaz.

 

Não podemos continuar a falhar tantas vezes defensivamente. Não consigo perceber algumas situações da equipa. Vejo por vezes jogadores a marcarem à zona, depois muitos outros com referências individuais e aquilo acaba por dar tudo numa grande confusão. Os lances da 1ª parte são um bom exemplo. Só Jardel tem estado em bom nível da defesa e acaba por resolver muitos lances. 

 

Não percebo também a gestão de alguns jogadores que é feita. Vejamos o Victor Andrade. Não fez a pré-época, mas depois aparece no 1º jogo do campeonato a entrar na 2ª parte e a ser titular no 2º jogo. Depois volta a desaparecer da equipa, jogando inclusive na equipa B a titular. De repente, volta a aparecer nos dois últimos jogos da equipa A, sendo um dos primeiros a entrar na equipa. É ao sabor do vento?

 

Depois Pizzi. Até quando vamos continuar a insistir com ele naquele lugar? Entrou mais uma vez e nada acrescentou. Bem pelo contrário. Continuo a dizer que o melhor 8 que o Benfica tem, esteve ontem na Turquia, mas a jogar pela hora de almoço. Até mesmo o João Teixeira. Não acredito que fizesse pior que o Pizzi com as mesmas oportunidades que este teve.

 

Depois a nossa equipa tem muitas lacunas e sem Nélson Semedo ainda se notou mais. Sílvio tem dificuldades defensivas como se viu ontem e que colocam a equipa em perigo. André Almeida tinha estado bem no meio até ontem, e penso que seja para manter. Eliseu é muito fraco, não serve para o Benfica. Depois lances como o do golo de Podolski acontecem, já que ele tem umas noções muito fracas do lugar que ocupa.

 

Raúl tem estado sempre muito bem a sair do banco e até disse que ele merecia a titularidade num jogo como este, mas cada vez me convenço mais que Mitroglou e Jonas funcionam muito melhor, entrando depois o avançado mexicano na 2ª parte. Mitroglou desgasta imenso as defesas contrárias, torna a missão deles muito mais difícil, e Raúl quando entra tem logo outro espaço para jogar. Claro que não será sempre a regra, mas parece-me o melhor.

 

A equipa sentiu esta longa paragem que apareceu na pior altura. Domingo há jogo grande. Que seja um grande Benfica em campo e um grande apoio nas bancadas.

 

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publicado às 20:12

Um problema de direita

por R_9, em 15.10.15

 

A equipa do Benfica sofreu um duro revés esta semana. Nélson Semedo foi pela primeira vez convocado para a Selecção Nacional, mas infelizmente contraiu uma lesão no joelho ao defrontar a Sérvia - fractura osteocondral do joelho direito. Normalmente, os jogadores irem à Selecção, não me aquece nem arrefece e até prefiro que eles não vão. No entanto, confesso que fiquei contente com a chamada dele para estes dois jogos.Trabalhou muito para chegar onde está hoje, e todos sabemos o quanto é importante para os jogadores serem chamados para representar as cores nacionais. Mal sabia eu o que aí vinha. É esperado que o jogador apenas volte a jogar no princípio de 2016, tendo sido ontem operado.

 

A equipa não perde apenas o seu lateral direito para os próximos jogos. Nélson Semedo já é - na manobra da equipa - muito mais que um lateral direito. Já existiam muitas coisas boas a sair dali, muitas coisas trabalhadas e processos que se vinham a assimilar com os treinos e jogos. A saída ao homem e compensação do médio, o fechar bem por dentro, os movimentos interiores no ataque, a qualidade nos movimentos de ruptura e de quebrar as linhas adversárias, assim como a capacidade de esticar a equipa no ataque com as suas arrancadas. Muitas destas coisas, principalmente as ofensivas, vão ser perdidas em larga escala. É um lateral com características muito próprias e o único no plantel que as tem. Estava a crescer a olhos vistos, já que o potencial sempre esteve lá - como alertei durante a pré-época. Precisava de uma oportunidade, de melhorar algumas questões tácticas e de posicionamento.

 

Rui Vitória tem agora de encontrar uma solução para aquele lugar. Há 3 soluções possíveis para aquele lugar. Sílvio, André Almeida e Victor Lindelöf.

 

A minha opinião é que deve ser Sílvio a ocupar o lugar de lateral direito. É um jogador adaptado à posição, que se não estiver com debilidades físicas pode aparecer a bom nível e que pode dar mais ofensivamente à equipa. Defensivamente não sei como irá funcionar a saída ao homem com compensação do médio centro e se isto será para manter. Sílvio tem algumas dificuldades tácticas, principalmente na forma como se vai posicionando no campo. Com Luisão por perto, poderá ser mais fácil para ele ir corrigindo essas fragilidades. Depois de finalmente ser acertada a dupla de meio-campo com Samaris e André Almeida, penso que não se deve mexer aí, trazendo André para a lateral, entrando Fejsa, Talisca ou Pizzi para o meio. Se eles se estão a entender bem e a equipa está a ganhar com isso, não há que mexer. É preferível fazer uma troca directa, mexendo peça por peça, do que estar a mexer em duas posições, logo quando a equipa tem estado a melhorar. Não sou grande adepto de Lindelöf na lateral. Sei que na Suécia jogou muitas vezes nesse lugar, na selecção de Sub21 também, mas não acho que vá dar as garantias necessárias naquela posição, sendo a central que pode render mais.

 

Vamos ver o que Rui Vitória vai decidir. Sei que o jogo da Taça de Portugal serve para dar minutos a alguns jogadores menos utilizados, mas também acho que deva já testar a solução na defesa para os jogos que se avizinham e criar algumas rotinas.

 

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publicado às 15:25

 

Na 6ª jornada da Liga NOS, o Benfica recebeu em casa o Paços de Ferreira. Para este jogo, Rui Vitória fez entrar a mesma equipa que tinha defrontado o FC do Porto na jornada anterior.

 

O Benfica entrou a dominar o jogo e a posse de bola. Aos 4 minutos, boa jogada entre Jonas e Gonçalo Guedes, mas Marafona evita o primeiro golo da partida. Pouco tempo depois, através de um remate de longe, Jota leva algum perigo à baliza de Júlio César. Por volta do quarto de hora, voltamos a chegar com perigo à baliza adversária, após boa jogada entre Gaitán e Jonas. Foram 15 minutos iniciais bons do Benfica, a conseguir chegar ao ataque com bola, apesar da boa organização defensiva do Paços de Ferreira.

 

Se era esperado que Samaris fosse o 8 da equipa e que André Almeida jogasse mais recuado, não era isso que se verificava. Ou jogavam muitas vezes a par, ou era Almeida a estar mais adiantado no terreno. A equipa de Jorge Simão não pressionava muito alto, apenas na entrada do seu meio-campo, tentando tapar os espaços entre linhas. Aos 21 minutos, Jardel faz um mau passe na saída a jogar e o Paços de Ferreira tem uma boa oportunidade para marcar, mas o remate sai um pouco ao lado.

 

Os minutos iam passando e o Benfica ia tendo cada vez mais dificuldade em chegar com a bola ao ataque. A equipa da capital do móvel começou a subir um pouco mais no terreno e a posse de bola do Benfica era agora mais lenta. O Paços de Ferreira marca aos 32 minutos, mas o golo é bem anulado por fora de jogo.

 

Perto dos 34 minutos e quando menos Benfica tínhamos no jogo, aparece o melhor jogador do campeonato a marcar um grande golo. Jonas a colocar a bola na gaveta da baliza de Marafona, com um grande remate de pé esquerdo. Pouco tempo depois, o Paços de Ferreira tem um contra-ataque muito perigoso, mas Jota atira ao lado. Aos 39 minutos, Jonas quase marca de novo com um remate de longe, mas desta vez a bola sai ao lado. O jogo chegou ao intervalo com o Benfica a vencer por 1-0.

 

 

Esta foi uma 1ª parte boa do Benfica até perto dos 20/25 minutos, depois o jogo da equipa desceu de qualidade. Começou com uma boa posse de bola, dinâmica, com velocidade, a conseguir chegar ao ataque e a criar perigo. Depois, tudo o que foi mencionado desceu de qualidade. O Paços de Ferreira também se apresentou bem organizado no Estádio da Luz, tentando evitar que o Benfica conseguisse chegar perto da sua baliza. Até não se notou tanto como era esperado a falta de capacidade ofensiva dos dois médios.

 

A defesa esteve a um nível aceitável, tirando a saída a jogar em que Jardel faz um mau passe e o contra-ataque em que não se conseguiu parar Jota. Eliseu e Nélson Semedo subiram pouco na 1ª parte e causaram poucos desequilíbrios. Samaris e André Almeida estiveram também num nível aceitável, mas precisam de coordenar melhor o espaço que deixam entre eles e a defesa e as zonas a que cada um vai.

 

Gaitán esteve abaixo do nível que se espera dele. Guedes também fez uma aceitável 1ª parte, sem dar muito nas vistas mas fez alguns bons movimentos. Jonas foi mais do mesmo, começam a faltar palavras. É um jogador genial, mas não só com bola. Mitroglou esteve abaixo do que tinha feito nos últimos jogos. Mais preso de movimentos e a participar menos no jogo ofensivo da equipa.

 

 

Se nos jogos anteriores o Benfica aparecia a fazer as saídas a jogar apenas com os centrais, desta vez aconteceu algo de diferente. A equipa tinha diversas saídas. Ora apenas com os centrais - como tinha sido hábito -, ora aparecendo um dos médios a fazer de 3º central. Nestes casos, vimos que tanto acontecia o médio meter-se no meio dos centrais, como de aparecer numa das linhas.

 

 

Uma boa troca de bola do Benfica. Jonas a receber entre linhas, Mitroglou a vir dar o apoio frontal e André Almeida a virar o jogo para Gaitán.

 

 

Porque é fácil o futebol com Jonas. Gonçalo Guedes faz um movimento interior com bola. Jonas sai do meio dos centrais e com uma simples tabela tira 4 adversários do lance.

 

 

Lance de ataque do Paços de Ferreira. André Almeida a fazer a pressão e Samaris na mesma linha que ele. O médio grego não tenta ocupar o espaço mais à sua direita, mesmo quando o jogador adversário que tem bola faz o movimento para jogar para aquele lado. Quando se apercebe da movimentação do outro médio, já é tarde, permitindo a tabela. Luisão ainda ameaçou sair naquele espaço e Nélson Semedo foi ultrapassado pela movimentação do extremo.

 

 

Como já disse, André Almeida apareceu muitas mais vezes que Samaris em zonas adiantados do terreno.

 

 

Neste lance, mostro a jogada que Gonçalo Guedes deveria ter feito. Era só dar de primeira em Jonas que dá o apoio frontal e rodar para ir buscar depois o passe do colega de equipa, mas o jovem extremo decidiu mal.

 

 

Péssima decisão de Eliseu e falta de um médio para aparecer no meio a pedir a bola. Era mais seguro dar em Jardel e depois a bola ser rodada para o outro lado.

 

 

André Almeida. 

 

 

Samaris com bola. Gonçalo Guedes faz a diagonal levando o lateral, aparecendo muito forte Nélson Semedo na direita, onde entra o bom passe do médio grego. Lateral sai a Nélson Semedo e Guedes fica sozinho para receber.

 

 

Boa compensação de André Almeida a Nélson Semedo, com a equipa a descer rápido e a controlar o espaço nas costas.

 

 

Como tirar 3 adversários do lance com uma tabela.

 

 

O entendimento nas transições ofensivas precisa de ser melhorado. Este é o típico lance que acontece muitas vezes.

 

 

Samaris a entrar à queima na linha, sítio que lhe é sempre favorável, podendo fazer a contenção e não deixar o adversário avançar. Com isso, foi ultrapassado e depois André Almeida volta a recuperar muito bem.

 

 

Equipa a demorar muito a sair em transição ofensiva.

 

 

O melhor jogador do campeonato.

 

 

Jogadores do Benfica a entrarem à queima e a serem ultrapassados por uma tabela, onde até estavam em superioridade numérica. Depois não existiu velocidade para acompanhar o jogador adversário.

 

 

A tal jogada que o Benfica faz muitas vezes. Gaitán abre bem na linha e Mitroglou vem chegar perto, arrastando o central e abrindo o espaço no meio do terreno. Gaitán dá de primeira para o avançado grego, fazendo logo o movimento de entrada no espaço, onde esperará a tabela de primeira. Neste caso, até foi Gaitán e Eliseu a fazer o mesmo movimento, mas infelizmente Mitroglou não conseguiu fazer o passe.

 

 

 

Rui Vitória não mexeu na equipa e entrou o mesmo 11 em campo depois do intervalo. Os primeiros 10 minutos da 2ª parte foram os piores do Benfica no jogo. A equipa entrou muito apática, a ver jogar e com muita lentidão. Aos 59 minutos e após uma boa saída do Benfica para o ataque, Mitroglou aparece na cara de Marafona, mas o guarda-redes do Paços defende a bola para canto. Pouco tempo depois, o avançado grego é substituído, entrando Raúl Jiménez.

 

Com o passar dos minutos, o Benfica ia melhorando, voltando a ser aquela equipa dos primeiros 20 minutos de jogo. Já dominava outra vez. A posse de bola era feita com mais velocidade e conseguia chegar à baliza adversária. Tudo isto é traduzido no golo de Gonçalo Guedes aos 67 minutos, após assistência de Gaitán.

 

Os minutos passavam e era o melhor Benfica no jogo, já com um Paços mais desorganizado. Jonas quase bisa aos 70 minutos, após desviar um remate de Gonçalo Guedes. Jiménez entrou bem no jogo, mexendo com a equipa. Pouco depois, Jonas faz mesmo o 3-0, após assistência de Gonçalo Guedes.

 

Carcela faz a sua estreia no Estádio da Luz aos 78 minutos. O extremo marroquino entra para o lugar de Gonçalo Guedes. Rui Vitória mexe de novo aos 81 minutos. Entra Talisca e sai Samaris. O jogo já se arrastava para o fim. O Benfica tentava pausar o jogo, procurando guardar a bola com mais segurança.

 

Júlio César evita o golo do Paços aos 84 minutos, com uma defesa atenta. Luisão quase marca aos 86 minutos, mas a bola vai ao poste, depois de um canto marcado por Gaitán. Nada de mais importante aconteceu, e o Benfica venceu o jogo por 3-0.

 

 

O Benfica entrou muito mal na 2ª parte, mas depois acordou e voltou a colocar em campo um futebol agradável. A entrada de Jiménez foi importante, o avançado entrou muito bem e veio mexer com o jogo da equipa e com a organização defensiva do Paços de Ferreira. A equipa chegou várias vezes à baliza adversária, fez boas jogadas e causou muitos desequilíbrios com uma posse de bola rápida e dinâmica.

 

A defesa esteve bem nesta 2ª parte, controlando quase tudo o que havia para controlar. Os laterais subiram mais no terreno, o que ajudou ao jogo ofensivo da equipa. Samaris e André Almeida mantiveram o nível da 1ª parte, com André Almeida a fazer um belo jogo. Gaitán não foi o que nos tem habituado, mas desequilibrou nas jogadas dos dois golos. Guedes também esteve bem, a marcar o golo que tanto procurava e numa boa assistência para o golo de Jonas.

 

Jonas é o normal, não há muito a dizer. É um enorme jogador e que aos 81 minutos andava a correr numa transição defensiva como se tivesse 18 anos. Mitroglou fez um mau jogo. Pareceu muito preso e falhou a oportunidade de marcar o seu habitual golo da ordem. Carcela teve pouco tempo para se mostrar mas entrou com vontade em campo.

 

 

Para os lances desta 2ª parte, apresentamos uma novidade ns nossas análises. 

 

Os lances em análise da 2ª parte.

 

 

Depois de uma derrota na jornada anterior, este seria sempre um jogo difícil. Os maus resultados mexem sempre com uma equipa e era muito importante a vitória neste jogo, ainda para mais com o empate do FC Porto na 6ª feira. Esperava que Rui Vitória fosse colocar alguém mais ofensivo a 8, mas ele apostou outra vez na dupla André Almeida e Samaris. Ganhou a aposta para este jogo, já que corresponderam bem, apesar de se notar em várias situações que nenhum deles consegue dar ofensivamente à equipa aquilo que o jogo muitas vezes pede. É natural, são jogadores mais defensivos. Creio que o treinador do Benfica tentou também ganhar mais rotinas entre os dois, já preparando o jogo da Liga dos Campeões, onde esta dupla deve ser de novo titular.

 

Uma coisa que tem estado mal, é que a equipa entra sempre mal para a 2ª parte. São normalmente os piores minutos do Benfica em campo e demoram sempre muito a voltar a entrar no jogo. Penso que Rui Vitória com o jogo resolvido, deveria ter dado descanso a Jonas e Gaitán, por exemplo. São dois dos jogadores mais desgastados da equipa, são também os dois melhores e é importante gerir bem a condição física deles.

 

A defesa ganha cada vez mais rotinas, parece-me que estão encontrados definitivamente os jogadores que jogarão mais vezes ao longo da época. Ainda há erros que precisam de ser corrigidos e que poderão custar muito caro contra jogadores de outro calibre. Os defesas parecem ter cada vez mais referências individuais e não de zona. Vamos ver se resulta. Com Jardel, a equipa ganha muitas coisas, não é por acaso que desde que chegou, Júlio César deixou de levar com jogadores isolados na sua cara - tirando Aboubakar e André André - já que a profundidade é melhor controlada. Contudo, tem de ter mais cuidado nas saídas a jogar. Já se sabe que tecnicamente não é bom, e falhas como a que teve neste jogo não podem acontecer.

 

Samaris continua a ter várias más abordagens ao lances, como lhe tenho apontado em muitos jogos. Ainda não percebeu que não pode ir a todas as bolas, nem fazer desarmes em todos os lances, sendo que é preferível ficar mais em contenção para tapar os espaços. Precisa de se entender melhor com André Almeida na ocupação de espaços. Gonçalo Guedes precisa ainda de crescer muito na tomada de decisão e em perceber o que deve fazer em cada situação. Onde está mais adulto é na recuperação defensiva. Com os erros irá aprender. Jiménez entrou muito bem, é um jogador diferente de Mitroglou. O Benfica tem três grandes avançados, jogue quem jogar a equipa estará sempre bem servida. Veremos se o avançado mexicano vai ter oportunidade de ser titular no jogo da Liga dos Campeões.

 

Segue-se agora um jogo muito difícil. O Atlético Madrid tem uma grande equipa e é o favorito no grupo. Apesar de não ser nem de perto nem de longe o favorito, espero um bom Benfica a apresentar-se na capital espanhola.

 

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publicado às 16:26

Análise a Franco Cervi

por R_9, em 19.09.15

 

Franco Cervi é o mais recente jogador contratado pelo Benfica. O médio ofensivo de 21 anos chegará do Rosario Central por um valor entre os 4 e 5 M de euros. Tem brilhado ao serviço da sua equipa durante esta época, a primeira que faz na equipa principal, sendo o dono da camisola 10. Tem 25 jogos até ao momento, contando com 5 golos e 6 assistências.

 

É um jogador bem cotado na Argentina, sendo unanimemente considerado como um dos maiores talentos a jogar naquele campeonato. O Benfica desde cedo se interessou pelo jogador, os relatórios foram positivos, mas só depois do mercado de verão fechar se partiu definitivamente para a sua contratação. Caso Nico Gaitán tivesse saído, creio que Cervi teria chegado ainda com o mercado aberto, mas felizmente que Nico ficou. Apesar de o ter debaixo de olho, o interesse do Sporting foi decisivo para o Benfica avançar neste momento para ele. Jorge Jesus era o treinador do clube quando os relatórios de Cervi chegaram e lhe foram apresentados. Com certeza que gostou do que viu e não ia esquecer o nome, mesmo mudando de clube. É natural.

 

Franco Cervi é um jogador franzino e de baixa estatura. O seu pé preferido é o esquerdo, sendo com ele que coloca em campo todo o seu futebol. Pode jogar em qualquer das posições de apoio ao avançado, quer seja numa das alas, quer seja ao meio. Quando falo no meio, refiro-me à posição 10, nunca a 8, e muito menos num meio-campo a 2. Apesar de já conhecer várias coisas do jogo dele, fui observar 4 jogos no Rosario Central. Jogos contra o Newell's Old Boys, San Martín, Belgrano e Tigre.

 

É um jogador com muita técnica e criatividade. A condução de bola que faz em velocidade, é mesmo muito boa e sempre com ela colada o pé. Consegue ir ziguezagueando pelos adversários ou ganhando metros em velocidade. É um jogador inteligente, daqueles que tenta estar um passo à frente dos adversários. Grande parte das vezes antes de receber a bola, já sabe o que irá fazer - com sucesso ou não - quando a bola chega até ele. Procura muito os espaços para receber a bola e desequilibrar. São frequentes as vezes em que sai do seu lugar para participar nos lances ofensivos. É um jogador rebelde, sem medo de arriscar e sem medo de partir no um para um com qualquer que seja o adversário, já que tem uma qualidade de drible acima da média. 

 

Quando joga nas alas, tem sempre a tendência de vir para dentro, quer seja com ou sem bola. Gosta de aparecer no meio para rematar - tem remate fácil -, ou então fazer diagonais nas costas da defesa para finalizar ou assistir depois os seus companheiros. Tem boa capacidade de passe, apesar de ainda se precipitar algumas vezes. Joga simples e ao primeiro toque, tocando a bola e dando o apoio para receber mais à frente. 

 

O seu maior problema, é muito provavelmente a forma como muitas vezes desaparece do jogo. Não é muito constante durante os 90 minutos. Tanto pode estar 15 minutos onde o jogo é todo dele, tendo iniciativas individuais, procurando muita bola, como pode estar 20 minutos completamente alheado, sem se notar por ele. O seu físico franzino faz com que perca vários lances corpo a corpo. Apesar de ele conseguir muitas vezes equilibrar a balança com a sua agilidade e velocidade, penso que vai ter de crescer um pouco fisicamente. Muitas vezes também é lento a fazer a transição ofensiva. Se não estiver envolvido na jogada, demora a chegar ao ataque, assistindo ao lance de longe. Apesar de ser um jogador que faz a diferença do meio-campo para a frente, tem uma assinalável qualidade na transição defensiva e na reacção à perda da bola, mas aqui terá de melhorar ainda mais, visto aqui ter de defender ainda mais vezes. 

 

 

Um lance que pode demonstrar o que Cervi tem de melhor. Grande capacidade técnica e de progredir com a bola em velocidade. 

 

 

Mais um pouco da técnica e irreverência do jogador argentino. 

 

 

Aqui demonstrada a forma como ele é capaz de entregar a bola e depois perceber o momento em que deve entrar no espaço para desequilibrar. Muito bom também o passe de calcanhar a assistir o colega. 

 

 

Dois bons momentos defensivos de Franco Cervi. Como já disse, é na frente que ele desequilibra, mas não é jogador que não tente recuperar a bola e não ajude nas tarefas defensivas, apesar de ainda ter de melhorar.

 

 

A forma como gosta de vir ao meio para rematar.

 

 

A boa visão de jogo e qualidade de passe. 

 

 

É muito bom a conseguir sair de espaços curtos com bola.

 

 

Excelente desmarcação e depois muita classe na hora de finalizar.

 

 

Mesmo estando a jogar na ala, vemos aqui como gosta de vir ao meio para ter bola.

 

 

Forte e ágil no um para um.

 

  

Penso que foi uma boa contratação do Benfica. É um jogador que pode dar muito ao clube. Tem muito potencial para crescer, qualidades muito interessantes, e que podem fazer dele um jogador muito acima da média. Percebe-se a urgência em não perder o jogador para outros clubes. A cada jogo que faz o interesse seria sempre maior. Também acho que pelas suas características, irá ter algumas dificuldades para se adaptar ao futebol europeu, precisando de algum tempo para assimilar estes processos, que são bem diferentes dos praticados na Argentina. Vamos ver o que sai daqui, as indicações são positivas e espero que se confirmem.

 

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publicado às 21:59

Análise ao Benfica vs Astana

por R_9, em 16.09.15

 

O Benfica começou ontem a sua campanha na Liga dos Campeões 15/16. O adversário foi o Astana, que se estreava na prova com uma visita ao Estádio da Luz. Para este jogo, Rui Vitória não mexeu na equipa, fazendo alinhar o mesmo 11 titular que defrontou o Belenenses na 6ª feira.

 

Os primeiros 15 minutos, como se esperava, foram de grande domínio do Benfica na posse de bola. O Astana remetia-se ao seu meio-campo, defendendo num 4-1-4-1, tentando ter a linha da defesa e dos médios próxima. Apenas o avançado pressionava mais na frente, o resto apenas o fazia quando a bola entrava no seu meio-campo. O Benfica teve quase toda a posse de bola durante esse tempo, mas não resultou em nada perigoso. Ou por maus passes, perdas de bola em iniciativas individuais ou falta de dinâmica ofensiva, o que é certo é que pouco se via ofensivamente.

 

Aos 20 minutos, livre perigoso a favor dos encarnados. Gonçalo Guedes faz uma diagonal servida por um passe de Jonas, sendo posteriormente derrubado em falta. O Benfica recuperava quase sempre muito rápido a bola depois de a perder, mas depois não conseguia criar grandes desequilíbrios. Aos 30 minutos surge a primeira grande oportunidade de golo do Benfica. Cruzamento de Nélson Semedo e Jonas na área a trabalhar muito bem, mas o guarda-redes do Astana evitou o golo. Pouco tempo depois, o Astana chega com algum perigo à baliza do Benfica. Gaitán perde a bola e fica a pedir falta ao árbitro, os jogadores do Benfica ficam também parados enquanto o jogador do Astana segue com a bola, mas o remate acaba por sair ao lado.

 

O intervalo aproximava-se e o jogo continuava igual a si mesmo. O Astana soltou-se um pouco mais nos últimos minutos da 1ª parte, mas não criava perigo. Um minutos antes do intervalo, a segunda grande oportunidade do Benfica. Boa transição ofensiva que resulta num 3 para 3, mas o remate de Jonas é defendido pelo guarda-redes. Pouco depois, chegou mesmo o intervalo, com 0-0 no marcador.

 

Esta foi uma má 1ª parte do Benfica. A equipa esteve bastante apática, lenta, previsível e com vários problemas ofensivos. Parece que esteve demasiado confiante nas suas capacidades e a subestimar o adversário. Sempre com aquela ideia de que mais tarde ou mais cedo as coisas se resolviam. Poucas boas jogadas ofensivas se criaram, existiu muita dificuldade em chegar com a bola controlada perto da defesa adversária e jogar entre linhas. Os avançados tiveram pouca bola e Jonas quase nunca conseguiu receber a bola entre linhas. O meio-campo teve dificuldades em fazer andar a equipa, com Talisca e Samaris a falharem muitos passes. Jogámos muito interiormente, com pouca largura e verticalidade na posse.

 

A defesa esteve bem, raramente foi importunada, controlando bem todas as situações, apesar de uma ou outra falha. Os laterais deram pouco ao jogo da equipa, raramente subiram para criar desequilíbrios e quando subiram pouco ou nada deu. Os centrais estiveram bem a subir e descer no terreno. A linha defensiva apanhou várias vezes os avançados contrários em fora de jogo.

 

O meio-campo esteve mal. Samaris e Talisca, como já disse, falharam muitos passes e tiveram abordagens aos lances que não podem ter, descompensando a equipa. Não conseguiram criar nada. Se Samaris ainda foi lutando e correndo muito nas recuperações, Talisca foi de uma nulidade completa. Guedes esteve apagado, raramente conseguiu criar algo pelo seu corredor. Gaitán desequilibrou muito no um para um, mas nesta 1ª parte isso resultou em pouco. Jonas ressentiu-se da falta de bola na zona dele e da muita ocupação do espaço por parte do Astana. Mitroglou mexeu-se muito, arrastando os defesas, como tem sido normal nestes últimos jogos, mas sentiu a falta de bola na área para finalizar.

 

 

Livre a favor do Benfica com Gonçalo Guedes a tomar uma má opção. Dois jogadores adversários fazem pressão nele de modo a evitar o remate e mesmo assim ele prefere rematar em vez de dar para Gaitán que estava completamente sozinho.

 

 

Dois lances praticamente iguais na 1ª parte. Mitroglou vem buscar a bola ao lado esquerdo, arrastando o defesa central que o marcava. Com isso, abre-se um enorme espaço no centro do terreno entre os dois centrais, mas que em nenhuma destas duas jogadas foi aproveitado. Fiquem com estes dois lances na memória, mais tarde vão lembrar-se deles, foi o segredo para a vitória do Benfica.

 

 

A forma como a equipa do Astana se posicionava a defender em 4-1-4-1. Um médio na frente da defesa, a servir quase como libero da linha de 4 médios que estavam na frente dele. Muito por culpa desse jogador, Jonas teve poucas hipóteses de receber a bola entre linhas. O avançado ficava mais na frente, pressionando um pouco mais.

 

 

Tentativa de saída para o ataque do Benfica. Talisca falha o passe, o Astana recupera a bola. Vemos depois Talisca e Samaris a irem os dois ao mesmo homem e ao mesmo local, abrindo um enorme espaço na frente da defesa.

 

 

Mais uma má abordagem de Talisca e Samaris. Em vez de ficarem a ocupar o espaço entre a baliza e a bola para obrigar o adversário a passar para trás ou recuar, vão ambos de lado e fazem com que ele se consiga virar para a baliza.

 

 

Mais uma vez demonstrada a forma como o Astana defendia e as dificuldades que o Benfica tinha em entrar naquele espaço. O jogador que esteve na frente da defesa a chamar o colega para ir ocupar o espaço, de forma a fazer a linha de 4. A bola roda para o outro lado e lá estão eles a tapar a entrada da bola entre linhas.

 

 

Uma das poucas vezes que um dos médios do Astana decidiu pressionar mais na frente, Jonas conseguir receber a bola no espaço e servir a diagonal de Gonçalo Guedes.

 

 

Uma situação que podia ter dado um ataque perigoso para o Benfica, mas que não deu em nada devido ao mau passe de Nico Gaitán. Devia ter dado a bola mais cedo em Talisca, e era isso que Jonas lhe dava sinal enquanto se movimentava. 

 

 

A pouca largura que muitas vezes existiu na 1ª parte, com Eliseu e Gaitán a jogarem dentro e assim a bola a ter de voltar para o lado direito.

 

 

Das poucas vezes que o Benfica conseguiu chegar perto da baliza adversária com a bola controlada na 1ª parte. Mitroglou a ir buscar a bola, a vir para dentro e a encontrar Gaitán aberto na ala que faz depois o passe para Jonas. Infelizmente, o lance depois não deu em nada.

 

 

Só perto dos 30 minutos de jogo o Benfica cria a primeira situação de grande perigo. Grande trabalho de Jonas na área, mas o guarda-redes adversário evita o golo.

 

 

Péssima abordagem de Eliseu ao lance. Gaitán ainda não chegou para lhe fazer a cobertura no interior, ele em vez de lhe dar a linha, dá-lhe o espaço interior, deixando o caminho aberto para a baliza. Depois acabou por cometer falta, que não foi marcada.

 

 

Um dos muitos passes falhados pelo Benfica na 1ª parte. Depois Samaris vai à queima em vez de aguardar um pouco e tentar compensar melhor aquele espaço todo.

 

 

Demonstradas as dificuldades que o Benfica tinha depois de chegar ao meio-campo. A circulação de bola era lenta e a equipa do Astana conseguia ir tapando quase todas as linhas de passe para o Benfica entrar no espaço mais adiantado do terreno. Talisca a jogar ao lado de Samaris também não ajudava. Como a circulação de bola era lenta e previsível, ainda era mais fácil para os adversários.

 

 

Boa transição ofensiva do Benfica. Mitroglou recebe para Jonas e a jogada transforma-se num 3 para 3. No último instante antes de rematar, Jonas poderia ter dado ao avançado grego, mas penso que naquela situação favorável o remate também foi uma boa opção.

  

 

Para a 2ª parte voltou a entrar a mesma equipa que saiu para o intervalo. O Benfica entrou mal na 2ª parte, e o Astana aos 46 minutos cria a situação mais perigosa que tinha existido até então. Cruzamento para a área, bola não é cortada, Jardel perde a frente do lance e o jogador adversário remata ao poste. O lance parece que serviu para acordar a equipa de Rui Vitória, que aos 51 minutos se adianta no marcador, fruto de um golo de Gaitán.

 

Com o golo, o Benfica ganhou confiança. A equipa passou a trocar a bola com mais dinâmica, verticalidade e velocidade. Passou a existir mais largura no terreno e as boas jogadas iam aparecendo. Os jogadores já se mexiam mais no campo e os laterais davam muito mais ao jogo ofensivo da equipa. Aos 62 minutos, Mitroglou faz o 2-0. Boa jogada entre Gaitán, Jonas e Eliseu, e o lateral aparece sozinho na área para oferecer o golo ao avançado grego.

 

Depois do 2º golo, o Benfica baixou o ritmo de jogo. Já não pressionava tanto e deixava o Astana jogar e trocar a bola com mais à vontade. As 72 minutos, Rui Vitória mexe pela primeira vez na equipa. Sai Jonas e entra Pizzi, indo Talisca colocar-se próximo de Mitroglou. Nova alteração aos 76 minutos. Sai Talisca e entra Raúl Jiménez.

 

O Benfica continuava a tentar descansar com a bola no pé, a não procurar tanto a baliza e a guardar mais a bola. Já se notava também o cansaço em alguns jogadores. Rui Vitória esgotou as substituições aos 85 minutos com a entrada de Fejsa para o lugar de Samaris. O jogo caminhou tranquilamente para o fim, registando ainda duas oportunidades de golo para o Benfica. Uma de Jiménez a passe de Eliseu após grande lance de Mitroglou e outra através de um livre de Eliseu mesmo no fim. O resultado acabou com 2-0 para o Benfica.

 

 

A 2ª parte do Benfica foi muito melhor que a 1ª, apesar de logo na entrada ter existido uma grande oportunidade de golo para o Astana. Depois disso, a equipa melhorou a agressividade ofensiva, a dinâmica e a qualidade de passe. Movimentou-se muito melhor na procura de espaço e abriu muito mais o jogo, fazendo com que os jogadores do Astana tivessem mais dificuldades em posicionar-se bem e fechar todos os espaços no terreno de jogo. Depois dos dois golos, a equipa optou por ter mais segurança no jogo, não arriscando tanto e guardando a bola, de maneira a se poupar para o próximo jogo.

 

A defesa continuou bem, apenas a registar a falha logo ao início, onde Jardel aborda mal o lance e perde a frente para o adversário. De resto, o controlo da profundidade e a linha defensiva estiveram bem. Os laterais subiram mais no terreno, e deram mais largura ao jogo. Ofensivamente, Eliseu fez um belo jogo, culminando com uma assistência para golo.

 

Samaris subiu muito de produção na 2ª parte, conseguiu acertar muito pais passes e ocupar melhor os espaços. Talisca também melhorou um pouco, mas apesar disso fez um mau jogo. Eliseu, Gaitán e Mitroglou foram os jogadores mais na 2ª parte. Jonas esteve um pouco abaixo do normal, mas esteve bem na tabela que resultou no 2º golo do Benfica.

 

 

A grande oportunidade do Astana. Passividade na área, Jardel perde a frente do lance e o Astana quase inaugura o marcador.

 

 

Mais um lance que mostra as dificuldades que o Benfica tinha em entrar na defesa do Astana até marcar. Seis jogadores na frente da bola, com pouco movimento nos espaços e ninguém a vir dar uma boa linha de passe. 

 

 

Benfica recupera a bola neste lance e podemos ver que já existe um bom entendimento entre os homens da frente. 

 

 

O lance do 1º golo do Benfica. Aquele espaço que existia entre os dois centrais de cada vez que um dos avançados do Benfica caía na linha, voltou a acontecer na 2ª parte. Desta vez, Gaitán seguiu por esse espaço e abriu o marcador, após boa tabela com Mitroglou.

 

 

A melhor circulação de bola e movimentação do Benfica na 2ª parte.

 

 

Grande passe de Samaris bom movimento de Nélson Semedo. Guedes a jogar dentro e a deixar o espaço aberto para o lateral. Na 1ª parte nada disto tinha acontecido. Pena Mitroglou ter cabeceado ao lado. 

 

 

Lance do 2º golo. Mais uma vez podemos ver a distância que existe entre os dois centrais e o espaço por ocupar, depois de Jonas ter levado um deles para lá. Eliseu aproveita muito bem e serve Mitroglou que se movimenta bem na área e encosta para o golo.

 

 

Grande jogada individual de Mitroglou e grande passe para Eliseu. O lateral passa depois a Raúl Jiménez que quase faz o 3º golo. Merecia o golo, esta jogada.

 

 

Acabou por não ser um jogo bem conseguido por parte do Benfica, ou pelo menos tanto como se esperava, mas o que interessava foi alcançado. A 1ª parte foi má e apenas na segunda se registaram melhorias, principalmente depois do primeiro golo. A equipa apareceu mais dinâmica, a procurar mais os apoios e com os jogadores a darem mais linha de passes e com uma melhor movimentação. Existiu também uma maior largura no terreno de jogo e os laterais envolveram-se no jogo ofensivo da equipa, ao contrário da 1ª parte. Já há algumas coisas que marcam a equipa de Rui Vitória. Acabou definitivamente a saída a jogar com o 3º central, sendo que agora é feita apenas pelos dois centrais. Movimentos interiores dos extremos com a tentativa de abertura de espaço para os laterais. Laterais esses que fazem várias vezes movimentos interiores. Equipa mais de posse e não de tanta aceleração, apesar ainda existirem vícios em alguns jogadores do contrário. Também há a tentativa de ser mais segura, não se expondo tanto depois de um possível erro.

 

A defesa esteve bem, apesar da falha aos 46 minutos que quase dava golo. Uma das maiores criticas que se fazia a Rui Vitória até ao jogo do Belenenses era, a quantidade de vezes que os adversários chegavam isolados na cara de Júlio César e as várias oportunidades flagrantes de golo que o adversário tinha em cada jogo. Nestes dois últimos jogos, apenas existiu um oportunidade flagrante de golo e que nasceu de um cruzamento. Isto deve-se à defesa estar melhor posicionada, a linha muito mais acertada e o controlo da profundidade ter melhorado a olhos vistos. Para se perceber isso, basta estar atento à forma como a defesa sobe ou desce em cada lance, apesar de ainda haver algumas falhas de coordenação e comunicação.

 

Samaris fez uma boa 2ª parte, mas na 1ª esteve mal. O jogador grego tem de perceber de uma vez por todas que não pode roubar todas as bolas que vai disputar. Jogando ali naquela posição, é muito importante que saiba posicionar bem, e que saiba pressionar em contenção, impedindo o adversário de avançar e levando-o para situações que lhe interessem, como para as linhas, a recuar no terreno ou a jogar para trás. O que Samaris faz é, tentar roubar todas as bolas, entrar à queima, fazer inúmeras faltas e desposicionar-se com a ânsia de querer fazer tudo ao mesmo tempo. Sei que ao jogar com Talisca ali, o trabalho para ele é muito maior, mas teima em dificultar a vida a ele próprio. Precisa de se posicionar melhor, perceber onde deve ou não deve ir, ter a noção do espaço que ocupa e fazer pressão em contenção, para assim a equipa ter tempo de recuperar de eventuais falhas. Contra equipas mais fracas isso pode não comprometer muito, mas contra equipas com mais qualidade, será um grande problema. Começo a achar que o melhor que lhe pode acontecer é levar o cartão amarelo cedo, assim ele acalma a sua agressividade e tenta ser mais racional. Depois de levar o cartão amarelo neste jogo, foi isso que aconteceu, e não foi por acaso que a sua produção subiu de qualidade.

 

Este foi mais um jogo em que é notório o problema no meio-campo do Benfica. É inadmissível que o Benfica não tenha contratado um número 8 titular para a equipa. Sem esse jogador, a equipa tem mais dificuldades, pois não há ali um jogador que faça boas transições ofensivas e defensivas, que saiba sempre que terrenos pisar, que tenha verticalidade com bola e que quebre as linhas adversárias com movimentações entre elas. Talisca já se sabe, é capaz do melhor e do pior, mas é curto para aquela posição num meio-campo a 2. Para Pizzi digo o mesmo, ou pior. Nos jogos mais fáceis ainda disfarçam, mas quando a dificuldade aumenta as fragilidades notam-se logo.

 

Guedes não fez um jogo bem conseguido. Até acho que a posição onde está a jogar é onde menos rende, de todas onde ele pode jogar na frente. Gaitán está em ponto de rebuçado, este foi mais um grande jogo do argentino. Mitroglou está a provar tudo o que disse dele na análise que publiquei na altura da sua contratação e ainda vai melhorar mais. Já se envolve mais no jogo da equipa, movimenta-se bem, e já se nota um bom entendimento com Jonas e Gaitán. Na área é o que se sabe, aquele rectângulo não tem segredos para ele, sabendo sempre para onde deve ir. Este foi mais um jogo em que ajudou a acabar com o mito de ser tosco e de que sabe marcar golos.

 

Segue-se o jogo no Estádio do Dragão, o jogo que é na teoria o mais difícil no campeonato. Espero ver um grande Benfica. Com um resultado positivo no final.

 

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publicado às 20:32

Análise ao Benfica vs Belenenses

por R_9, em 12.09.15

 

Depois da paragem de 15 dias, o Benfica recebeu o Belenenses no Estádio da Luz, na 4ª jornada da Liga NOS. Para este jogo, Rui Vitória fez 3 alterações relativamente ao último 11 titular. Jardel, Talisca e Gonçalo Guedes, entraram para os lugares de Lisandro, Pizzi e Victor Andrade. A entrada de Talisca e de Guedes era algo previsto. Acreditava-se que Lisandro poderia continuar a fazer dupla com Luisão, mas foi Jardel que voltou à equipa, depois de recuperar da lesão.

 

O Benfica entrou a pressionar muito a equipa do Belenenses e a tentar dominar o jogo. Na 1ª vez que chega à baliza contrária, Mitroglou marca de cabeça, após cruzamento de Jonas. Depois do golo, as coisas continuaram da mesma maneira. Benfica a ter muita bola e a pressionar muito assim que a perdia. A circulação de bola era feita com progressão no terreno. A equipa de Sá Pinto poucas dificuldades criava, estava perdida em campo e a pressionar pouco.

 

Aos 17 minutos, Jonas faz o 2º golo da partida, depois de um bela jogada de ataque. Boa circulação, jogadores a movimentarem-se bem, com Gaitán a ir à linha para cruzar uma bola que acaba por chegar aos pés de Jonas, que atira para o fundo das redes. Eram os melhores momentos do Benfica de Rui Vitória. A equipa parecia outra e dava gosto estar a assistir ao futebol praticado. Facilmente a bola passava jogável para os médios e atacantes. A equipa movimentava-se bem, procurava os espaços e os apoios, jogando de pé para pé. As boas jogadas e lances de perigo sucediam-se. A defesa ia controlando qualquer tentativa de ataque contrário.

 

Após uma perda de bola de Gaitán aos 35 minutos, o Belenenses remata, mas a bola sai longe da baliza de Júlio César. Por esta altura, já se notava um pouco de levantar do pé por parte do Benfica. Já se trocava a bola com mais calma e se deixava o adversário jogar em zonas recuadas do terreno. O intervalo aproximava-se, mas não chegou sem antes Jonas fazer o 3-0 após um canto. 

 

 

Esta foi uma grande 1ª parte do Benfica. Não só pelo resultado, mas também pelo futebol praticado. Equipa muito personalizada e adulta. Muita bola, boa dinâmica ofensiva, pressão eficaz e agressiva na tentativa de recuperação da bola. O Belenenses pouco fez, mas há muito mérito do Benfica.

 

A defesa apareceu em muito melhor plano para este jogo. A linha defensiva esteve muito mais certa - ainda não totalmente -, subindo e descendo em bloco de uma forma mais eficiente. Nas bolas paradas, a defesa à zona também cumpriu muito bem. Laterais a subir e a dar sempre mais caudal ofensivo à equipa. Onde a defesa esteve pior, foi em lances fáceis de resolver, onde faltou alguma tranquilidade, apesar de nunca ter sido criado grande perigo. Samaris e Talisca entenderam-se bem no meio-campo. Ainda falharam alguns passes, que precisam de sair bem para o jogo da equipa fluir.

 

A frente de ataque esteve muito bem. Gaitán a mostrar o fantástico jogador que é. Evitou fazer cruzamentos atrás de cruzamentos com pouco critério, procurando mais os apoios para depois a bola continuar a rolar. Guedes também fez uma boa primeira parte, boas diagonais e bom entendimento com Nélson Semedo. Mitroglou apareceu diferente. Muito mais participativo no jogo da equipa, não ficando tão estático e procurando vir dar apoio e fazer jogar. Dentro da área é o que se sabe, um jogador muito forte. Jonas é Jonas, não sei que dizer mais. É passar estes 45 minutos só a olhar para ele e perceber o jogador fantástico que é. Faz tudo bem. 

 

 

Três minutos de jogo bastaram para perceber que a linha defensiva ia estar melhor do que em jogos anteriores. Samaris e Talisca a saírem os dois ao mesmo homem e ao mesmo tempo, deixando ali um espaço vazio.

 

 

O lance do 1º golo. O poder físico de Mitroglou e a dificuldade que é marcar o avançado grego na área. Assim que ele faz o movimento, o defesa do adversário não consegue sequer chegar perto ou incomodar.

 

 

Um dos exemplos para perceber que o Benfica tem abdicado quase na totalidade de sair a jogar com o 3º central.

 

 

Pressão muito alta por parte do Benfica, sempre a evitar ao máximo que o Belenenses conseguisse sair a jogar.

 

 

Aqui demonstrada a maior agressividade do Benfica quando perdia a bola.

 

 

Gaitán vem da esquerda para a direita. Com isso, um dos médios adversários acompanha a sua movimentação, deixando ali o espaço aberto no meio. Samaris, com um belo passe, faz entrar a bola em Jonas, que serve a diagonal de Gonçalo Guedes. Boa jogada e bons movimentos.

 

 

O lance do 2º golo. Futebol apoiado, com movimentações e só depois do desequilíbrio feito, aparece o cruzamento.

 

 

Lançamento lateral, jogador adversário recebe de costas e logo os centrais a chegarem à frente para encurtar o espaço. Dá para perceber que Jardel dá sinal a Eliseu, pois o lateral devia ter acompanhado a subida, em vez de estar ali a passo.

 

 

A boa troca de bola do Benfica, com Mitroglou a sair de perto da área para se vir envolver muito bem com os colegas.

 

 

Vimos Luisão a sair muitas vezes da sua zona para pressionar. Este é um bom exemplo. O capitão do Benfica sai para fechar aquele espaço e pressionar o jogador do Belenenses que recebe a bola de costas. Samaris, muito bem, vai compensar a subida do central, assim como Talisca na frente da defesa. A linha mantem-se eficaz, colocando o extremo adversário em fora de jogo.

 

 

A qualidade da movimentação de Jonas na área. 

 

 

Finalmente, vimos algo trabalhado nas bolas paradas da equipa. Canto atrasado para Nélson Semedo, que coloca a bola ao 2º poste, para onde se movimentam os dois centrais.

 

 

Benfica voltou a defender as bolas paradas com muita gente. Neste livre, temos um jogador na barreira e os restantes 9 jogadores de campo na área. Parece ser para manter. 

 

 

Bola na linha, defesa a subir em bloco. Jogador adversário recebe a bola sozinho no meio - bola descoberta - a defesa recua logo em bloco.

 

 

 

Para a 2ª parte, não houve qualquer alteração na equipa do Benfica. O Belenenses, aos 50 minutos, incomodou Júlio César pela 1ª vez. Bola nas costas e Luís Leal a rematar para defesa apertada do guarda-redes encarnado.

 

Por volta dos 53 minutos de jogo, o Benfica volta a marcar. Boa jogada do Benfica, Gaitán a quebrar os rins ao lateral do adversário, chegando depois a bola a Mitroglou, que encosta para o 4-0. Continuava o bom futebol da 1ª parte. O que disse sobre o que se passou antes do intervalo, era o mesmo que se passava em campo na 2ª parte. Aos 60 minutos, momento de magia no Estádio da Luz. Brilhante jogada entre Jonas e Gaitán, onde o jogador argentino faz o 5-0. O tempo para saborear este golo foi muito pouco, já que aos 63 minutos Talisca faz o 6-0, com um grande remate do meio da rua.

 

Rui Vitória mexe pela primeira vez na equipa aos 66 minutos. Mitroglou é substituído por Raúl Jiménez. O futebol continuava muito vistoso. Com um resultado destes, os jogadores tinham a confiança em alta e as coisas saíam ainda com maior naturalidade. Eram grandes momentos de futebol que se viam no Estádio da Luz, com os jogadores a abrirem completamente o livro.

 

Aos 72 minutos, o treinador do Benfica volta a mexer na equipa. Sai Gaitán e entra Nuno Santos. O ritmo de jogo estava a baixar nitidamente. O Benfica já tentava descansar tendo a posse de bola, não sendo tão vertical. A última substituição acontece aos 77 minutos, saindo Jonas e entrando Pizzi. Talisca foi colocar-se mais perto de Jiménez.

 

Pouco de mais importante aconteceu até ao final do jogo. Os jogadores do Benfica foram aguardando o final do jogo. Apesar de terem feito vários ataques, já era mais em descompressão. Belenenses também pouco incomodou e o jogo acabou mesmo com 6-0 no marcador.

 

 

Não há muito para dizer da 2ª parte que não foi dito na 1ª. Pouca coisa mudou, a equipa continuou em grande nível. O Belenenses apenas criou uma situação de real perigo.

 

Rui Vitória mexeu bem na equipa. Deu descanso a jogadores que precisavam, poupando-os assim para os próximos jogos. A defesa continuou a portar-se de maneira positiva, o meio-campo a dar muita consistência à equipa e a frente de ataque a brilhar no relvado. Os jogadores que entraram cumpriram. 

 

 

Talisca e Samaris abordam mal o lance, permitindo que o jogador do Belenenses ganhe muito espaço. A defesa vai recuando, até que Jardel e Eliseu aproveitam o adiantamento da bola para sair e acabar com o lance.

 

 

O único lance de real perigo do Belenenses. Desatenção do Benfica e bola nas costas da defesa.

 

 

Gaitán a partir o defesa no lance do 4º golo. Depois a bola vai ter com Mitroglou que encosta para o golo. 

 

 

Lance do 5º golo do Benfica, com os dois melhores jogadores do campeonato em destaque. Não são necessários comentários. É apreciar o momento.

 

 

A bomba de Talisca. 

 

 

Samaris tem mostrado qualidade nos passes longos. Boas aberturas neste jogo, sendo esta um bom exemplo.

 

 

Como tem sido habitual, nos lançamentos de linha lateral o Benfica tentar encurtar ao máximo o campo. Podemos ver no inicio do lance, os 10 jogadores de campo do Benfica estão todos colocados para lá da metade do campo. Jogador recebe a bola de costas, defesa sobe em bloco. Quando o passe é feito, estão já os jogadores adversários em fora de jogo.

 

 

É um prazer, Jonas e Gaitán.

 

 

Os movimentos para o interior que Nélson Semedo tem feito. A cada jogo que passa, aparecem em maior número.

 

 

Este foi um grande jogo. De muito longe, o melhor da era Rui Vitória. Notou-se muita evolução no que a equipa fazia em campo e nas suas ideias. O Belenenses apresentou-se muito mal no Estádio da Luz, com falhas gritantes a vários níveis, no entanto nada disso ofusca a qualidade de jogo que os jogadores encarnados apresentaram.  

 

Nesta equipa, existiram várias mudanças relativamente aos jogos anteriores que a tornaram melhor. Melhor consistência defensiva, com um melhor controlo da profundidade e a linha muito mais certa. Muito mais agressivos na recuperação da bola. Maior dinâmica em campo. Futebol apoiado, mais vertical, com muitos apoios para o portador da bola. Cruzamentos continuaram acontecer, mas a equipa procurou primeiro desequilibrar equipa adversária e depois sim, cruzar para a área. Eu não sou contra os cruzamentos - até porque não faz sentido uma equipa com estes cabeceadores não o fazer -, só não acho que se devam fazer cruzamentos em qualquer que seja a situação. Defendo sim, o que foi feito neste jogo. A equipa também já merecia marcar um golo cedo, para depois jogar com outra tranquilidade.

 

Nas minhas análises, muita gente me dizia que batia sem razão no Lisandro e que ele não tinha falhas como as que apontava. Penso que neste jogo ficou clara a diferença entre ele e Jardel. Em termos posicionais, são diferenças de qualidade gritantes e que mudam muito a forma como a defesa se movimenta. Jardel acabou por falhar em coisas mais básicas, como cortes que eram fáceis e que complicou um pouco. Dá para ver que ele e Luisão se entendem quase de olhos fechados. Rui Vitória teve de tomar uma difícil decisão, que na teoria não foi justa, mas penso que foi o melhor para a equipa. Ambos os laterais atacaram bastante durante o jogo, com Nélson Semedo em mais evidência. Fazem vários movimentos interiores e isso parece-me que é uma coisa que tem estado a ser trabalhada.

 

Talisca fez o melhor jogo com a camisola do Benfica a jogar naquela posição. As facilidades em campo foram muitas, mas o brasileiro fez mesmo um bom jogo naquela posição. Veremos se é para manter contra adversários de maior qualidade nos próximos jogos. Samaris também esteve melhor, tem é de perceber que nem sempre pode ir a todas as bolas, pois descompensa a equipa.

 

Mitroglou mostrou o grande jogador que é. Que ninguém tenha dúvidas disso. Conseguiu envolver-se mais no jogo da equipa. Veio tabelar e dar apoios aos colegas. Dentro da área é o que se sabe, um bicho. Movimenta-se muito bem, é extremamente difícil de marcar e finaliza muito bem. Guedes também esteve bem, menos exuberante que os companheiros de ataque, mas com bom entendimento com Nélson Semedo. É um jogador inteligente, percebe que nem sempre pode ir na iniciativa individual e joga com a cabeça levantada. Sobre Jonas e Gaitán não vale a pena comentar, os lances falam por si.

 

Rui Vitória e os jogadores estão de parabéns pelo que fizeram neste jogo. Esperamos todos que isto seja para continuar, já que já os sinais dados foram bons. Ainda há coisas que precisam de ser melhoradas, não está tudo bem, como é óbvio. É continuar a trabalhar e mostrar evolução de jogo para jogo.

 

Nota: Na última análise, falei de um movimento de descontentamento de Rui Vitória para com Nélson Semedo. Se naquela imagem isso parecia óbvio, visto de outra câmara as coisas já parecem diferentes, apesar de ele pedir a bola na linha. Deixo-lhe aqui as minhas desculpas.

 

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publicado às 21:26

 

Depois da derrota na semana passada frente ao Arouca, ontem foi a vez do Benfica receber em casa o Moreirense. A equipa de Moreira de Cónegos vinha de duas derrotas em dois jogos para o campeonato. Para este jogo, Rui Vitória fez apenas uma alteração em relação à equipa titular da semana passada. Entrou Victor Andrade e saiu Ola John.

 

Os comandados de Miguel Leal desde cedo mostraram ao que vinham. Não pressionavam as saídas a jogar até a bola chegar perto do meio-campo ou entrar na ala, sendo nesses dois momentos que a pressão era feita, encurtando sempre o espaço. Nos primeiros 10 minutos a intensidade foi baixa, o Benfica a ter a tal posse consentida pelo adversário até chegar a determinadas zonas do terreno, mas depois a não conseguir avançar.

 

Jogando em casa, o Benfica foi assumindo sempre o jogo, tentando recuperar a bola depois de a perder e evitar as tentativas de contra-ataque do Moreirense que jogava apenas no erro. Continuava a haver muito circulação de bola, mas em zonas baixas do terreno e com pouca intensidade. Eram feitos também muitos cruzamentos na procura dos avançados. Os extremos procuravam muito o jogo interior, como tem sido hábito. 

 

Aos 28 minutos, a equipa visitante adianta-se no marcador após jogada de contra-ataque. O Benfica sentiu o golo, a equipa já se mostrava algo nervosa. Continuou a registar-se muita troca de bola, agora com o Moreirense a pressionar ainda menos, mas a equipa continuava a mostrar muito pouco futebol aos seus adeptos. Porém, aos 37 minutos na sequência de um bom movimento de Jonas e Pizzi, o avançado brasileiro tem uma grande oportunidade, mas atira ao lado. Pouco de importante aconteceu no restante tempo até ao intervalo.

 

 

Esta foi uma primeira parte muito fraca. A equipa teve muita bola, mas grande parte dela atrás da primeira linha de pressão do Moreirense. O Benfica contra uma das piores equipas do campeonato, criou um lance de perigo em 45 minutos. Isto é demasiado mau para um candidato ao título. Continuou a haver dificuldade de jogar futebol apoiado no meio-campo ofensivo, linhas muito distantes, falta de apoios ao portador da bola, demasiados cruzamentos e péssimas transições defensivas. O filme visto nos jogos anteriores.

 

Samaris falhou muitos passes na primeira parte, andou perdido em campo. Pizzi também não conseguiu dar muito à equipa, para além da bela jogada que fez com Jonas. Não percebo a insistência de Pizzi a 8, foi provavelmente umas das piores invenções de Jorge Jesus no Benfica, a equipa sofre muito com ele ali. Se no ano passado nos jogos em casa isso nem se notava muito, este ano é em qualquer estádio e contra qualquer equipa.

 

Victor Andrade foi uma aposta falhada. É certo que é irreverente e mexe de vez em quando com o jogo, mas tem de levantar a cabeça e procurar os colegas. O futebol ainda é um desporto colectivo. Jonas desgastou-se muito a baixar entre as linhas para tentar ter bola, mas qualquer treinador já sabe que ele faz isso e tentam sempre fechar esse espaço. Mesmo assim, ainda conseguiu receber algumas vezes, mas acabava depois por ter os apoios longe e poucas linhas de passe, acabando por perder a bola. Mitroglou esteve muito perdido no meio dos centrais. Sem a equipa criar jogo ofensivo e oportunidades, é muito complicado ele mostrar no que é bom, mas mesmo assim, podia de vez em quando tentar envolver-se mais no jogo, já que a bola não chega lá tanto à frente.

 

 

A pressão que o Moreirense fazia. Linha da defesa e do meio-campo a encurtarem espaço para não deixar o Benfica jogar entre linhas, e a pressão a sair quando a bola chegava perto do meio-campo ou entrava na ala.

 

 

Lisandro tenta construir jogo. Tem Jonas a pedir a bola, mas opta por uma linha de passe mais difícil. Nenhum médio compensa a subida do central e após a perda da bola temos uma situação de um para zero.

 

 

Dos poucos bons movimentos do Benfica na 1ª parte. Jonas a jogar entre linhas, Victor Andrade a fazer o movimento interior para receber a bola. Depois de receber, nem levanta a cabeça, tendo duas boas opções de passe. Virou-se e rematou, perante um mar de pernas de defesas.

 

 

Pizzi perde infantilmente a bola no meio-campo. Samaris faz uma má pressão ao portador da bola e o mesmo faz Pizzi de seguida, deixando um buraco entre a defesa e meio-campo. Os dois são facilmente ultrapassados, Luisão tenta fechar o espaço mas acaba por ser ultrapassado também. Por sorte, o jogador do Moreirense não colocou a bola em nenhuma das duas óptimas linhas de passe que tinha, sofrendo depois falta. 

  

 

Nélson Semedo com bola a sofrer a pressão de dois adversários. Apenas tem uma linha de passe na linha que é Gaitán, mas também tem um adversário por perto. Samaris e Pizzi a assistirem ao lance e ninguém vem dar uma linha de passe naquele espaço todo entre a bola e os avançados.

 

 

Lance do golo do Moreirense. Repare-se na altura do cruzamento de Nélson Semedo. A equipa do Moreirense tem 9 jogadores entre a linha da grande área e a baliza, e o Benfica tem 4. Passados uns segundos, está em superioridade numérica de 3 para 2 no ataque. Lisandro corta a bola para onde não devia, mas é incrível o buraco no meio-campo e o tempo que a equipa demora a fazer a transição defensiva.

 

 

Saída perigosa no pontapé de baliza. Pizzi vem pedir a bola a Júlio César, mas assim que recebe a bola de costas vai ter a pressão de um adversário, e de outros dois que estavam perto. Mal posicionada a equipa, e como se pode ver, o resto da equipa está distante, já que mais nenhum jogador aparece na imagem. Valeu que o jogador do Moreirense fez falta.

 

 

A melhor jogada do Benfica na 1ª parte. Jonas vem buscar a bola e Pizzi vai fazer o seu lugar procurando o espaço entre linhas. Nélson Semedo leva um adversário com ele, Pizzi respeita o movimento de Jonas, entregando-lhe a bola para uma finalização em boa posição.

 

 

Lateral e ala esquerdo a jogarem interiores, sem ninguém abrir. A bola perde-se após Pizzi fazer um mau passe, e Eliseu quase que é multado por excesso de velocidade na recuperação defensiva. Valeu ao Benfica o médio do Moreirense não ter feito feito o passe antes de sofrer a falta de Pizzi. Samaris também pouco se preocupa em recuperar defensivamente.

 

 

Eliseu com a bola na ala no um para um, e nenhum jogador do Benfica se mexe para dar uma linha de passe ou o apoio. Quatro jogadores metidos na área e Pizzi a assistir ao lance uns metros atrás.

 

 

Gaitán recebe a bola. Tem espaço para avançar, mas a preocupação é logo receber e meter na área. Pizzi desmarca-se bem e a bola até poderia entra nele.

 

 

 

Para a 2ª parte, Rui Vitória fez entrar Talisca para a posição de Pizzi e Gonçalo Guedes para o lugar de Victor Andrade. O inicio da 2ª parte foi igual ao fim da 1ª. Moreirense com as linhas mais recuadas a deixar o Benfica jogar à vontade no seu meio-campo e depois a tentar fechar os espaços em zonas mais recuadas do terreno. 

 

A partir dos 60 minutos, começou a notar-se muito cansaço na equipa do Moreirense. Já não conseguiam tapar tão bem os espaços entre linhas, mas o Benfica continuava a fazer muitos cruzamentos em vez de tentar jogar mais apoiado, ainda por cima com o desgaste dos médios adversários a ser cada vez mais notório. Cada vez que a bola entrava no último terço do terreno e chegava à linha, saía cruzamento, muitas vezes sem critério nenhum. Continuava  a haver pouca dinâmica e agressividade - no bom sentido - em campo. Gonçalo Guedes e Talisca pouco vierem dar ao jogo.

 

Aos 68 minutos, boa jogada do Benfica. Nico Gaitán a avançar com a bola, dá no apoio frontal de Mitroglou que entrega de primeira a Jonas, que acaba por atirar por cima. Passados alguns segundos, Mitroglou após cruzamento de Gaitán cabeceia para uma grande defesa de Stefanovic, embatendo a bola depois na trave. Rui Vitória faz a última substituição aos 73 minutos. Sai Eliseu e entra Raúl Jiménez, passando Gaitán a fazer a ala esquerda toda.

 

Na primeira vez que toca na bola, o avançado mexicano empata o jogo. Grande cruzamento de Gaitán, e um belo cabeceamento de Jiménez. Pouco mais de um minuto depois, o Benfica volta a marcar. Nélson Semedo desequilibra e entrega a bola a Mitroglou que segura de costas para a baliza, entregando depois para Samaris, que de fora da área remata para o 2-1.

 

Com a vantagem, a equipa tentou serenar mais o jogo, mas notava-se muito nervosismo. Aos 84 minutos, depois de um lançamento de linha lateral, o Moreirense empata o jogo em fora-de-jogo. O Benfica reagiu rápido e um minuto depois volta a adiantar-se no marcador. Cruzamento de Gaitán na esquerda e Jonas aparece a finalizar de primeira para o fundo das redes. Nada de mais importante aconteceu até ao apito final, acabando o jogo com a vitória do Benfica por 3-2.

 

 

O 2º tempo até o adversário começar a ceder fisicamente e a abrir espaços, voltou a ser o deserto de ideias que foi a 1ª parte. Demasiados cruzamentos, poucos apoios e um futebol que não é nada agradável à vista. A partir do momento da quebra física, as individualidades do Benfica fizeram a diferença. 

 

Rui Vitória acabou por ganhar a aposta na 3ª substituição. Talisca e Guedes que entraram ao intervalo, não acrescentaram muito, mas o avançado mexicano fez a diferença na área. O Moreirense estava de rastos, não atacou quase nenhuma vez. Gaitán conseguiu fazer o corredor todo pois não precisava de defender. Mitroglou melhorou bastante na 2ª parte, deixou de estar tão estático e passou a vir buscar bola e a movimentar-se mais. Jonas marcou o golo que tanto merecia, é um enorme jogador e um grande homem.

 

Nélson Semedo também desequilibrou pelo seu flanco. A defesa acabou por quase não ser posta à prova, o Benfica teve quase a totalidade da bola na 2ª parte e nem em contra-ataque a equipa do Moreirense conseguiu sair.

 

 

Jogo interior de Gaitán que dá para Talisca. Apoio frontal de Jonas que pede bola para depois entregar em Gaitán que faz um movimento de entrada pela defesa contrária, mas Talisca prefere fazer isto.

 

 

Gaitán a sair bem do drible, mas mais uma vez a primeira preocupação é fazer o cruzamento. Nem vê que assim que sai do drible e antes de cruzar, tem duas boas linhas de passe fora da área.

 

 

Depois de um pontapé do guarda-redes do Arouca, é este o espaço entre a defesa e o meio-campo.

 

 

O golo do empate. Muito bem Jiménez a vir dar o apoio e a partir em velocidade para a área. Assim que entra na área, faz o movimento para atacar o 1º poste, ganhando a frente do lance ao defesa e marcando o golo.

 

 

Lance do 2º golo do Benfica. Nélson Semedo desequilibra na linha, colocando depois a bola no apoio frontal de Mitroglou que recebe bem e protege do defesa. O avançado grego encontra depois Samaris na entrada da área, que remata para o fundo das redes. Repare-se na reacção de desagrado de Rui Vitória quando Nélson Semedo ultrapassa o adversário e vai para dentro, e não colocando a bola na linha como ele pedia. Felizmente que o lateral direito do Benfica fez este movimento, desequilibrando a equipa adversária e não fez o que o treinador queria.

 

 

Abordagem patética de Lisandro no lance do golo do empate. Nem corta a bola nem evita o choque com o adversário. 

 

 

Lance do 3-2. Jogadores do Moreirense já não acompanham os avançados do Benfica, que por sua vez estão em superioridade numérica e se movimentam bem na área. Jonas finaliza de primeira.

 

 

O modelo de jogo continua muito fraco, as ideias são poucas e as que há não são muito boas. O Benfica na 1ª parte contra o Moreirense em casa - uma das equipas mais fracas do campeonato - teve uma (!!) ocasião de golo. É muito pouco para uma equipa que luta pelo título. Como o modelo continua fraco, notam-se ainda mais as fragilidades de alguns jogadores e cada erro individual é uma aflição para a equipa, mesmo contra o Moreirense. 

 

Acabámos por ganhar o jogo porque temos grandes individualidades, jogadores na frente acima da média e que resolvem muitas vezes quando o adversário tem um nível mais baixo. Quando a dificuldade subir de nível, o problema será muito maior, pois aí esses jogadores já não farão tanta diferença. Nesses jogos também não veremos o adversário a claudicar fisicamente a partir dos 60 minutos.

 

Continua o problema no meio-campo. Pizzi não pode ser solução para um meio-campo a 2, e lá está, com os problemas que o colectivo tem, ainda se nota mais. A equipa faz demasiados cruzamentos, até foi dessa maneira que o jogo se resolveu, mas alguém acredita que é essa a solução para ganhar todos os jogos até ao fim da época? Fizemos 27 cruzamentos durante o jogo, um número que faz inveja a qualquer equipa onde o Peter Crouch seja titular. A equipa pouco jogo dá aos seus avançados, pouco jogo ofensivo cria, poucas vezes chega com a bola controlada ao sector atacante. Se contra um adversário fraco como este é assim, é melhor nem pensar como será contra alguém mais forte. O Benfica tem a melhor frente de ataque em Portugal, jogue qual dos avançados jogar, é preciso criar jogo e soluções para eles finalizarem. Não será sempre com o chuveirinho que as coisas se vão resolver.

 

Qualquer treinador do campeonato sabe como anular este Benfica. Alternar entre a pressão alta e a pressão no meio-campo, não deixar Jonas receber a bola entre linhas, e lançar dezenas de bolas para as costas da defesa. Só a fazer isto, em 3 jogos, adversários de nível muito inferior, criaram inúmeros problemas ao Benfica. A transição defensiva e organização defensiva está no nível de uma equipa do CNS, e estou a ser simpático. Isso precisa de ser muito e bem trabalhado, que contra outras equipas pode ser o descalabro.

 

Também não percebo porque se joga com o Ola John a titular quando ele fazia pouco por merecer. Depois ele faz 45 minutos bons contra o Arouca, sai ao intervalo e no jogo seguinte nem joga. A titular joga o Victor Andrade, um jogador que nem a pré-época fez com a equipa e que acaba por sair ao intervalo. Para a 2ª parte entra Gonçalo Guedes, mais um jogador que tinha tido poucos minutos. Que confiança é que Rui Vitória tem nas suas decisões iniciais quando faz isto em 2 jogos seguidos? Pois. Nenhuma.

 

Samaris foi o jogador do Benfica que foi ao flash interview, entre outras coisas, disse: "Não conseguimos na 1ª parte procurar tão bem o jogo directo com os nossos avançados". Estou a tentar convencer-me desde ontem, que aquele "jogo directo" tenha sido um problema de português e não as ordens que a equipa tem para fazer o jogo todo.

 

Rui Vitória diz que o Benfica teve muita posse de bola, muitos remates, mas de que serve isso quando a equipa joga um futebol tão pobre e passa o jogo a bombear bolas? Isso é o que diria qualquer pessoa que chegasse, olhasse para as estatísticas e não presenciado o jogo. A equipa fez um bom jogo só por causa do domínio das estatísticas? Não. Que se aproveite esta paragem para trabalhar algo, mas trabalhar a sério, e não o que se vê em campo. É preciso muito mais, os problemas são muitos e as soluções apresentadas em campo são poucas. Temos também dois dias para contratar dois reforços que entrem de caras na equipa titular.

 

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publicado às 18:09

 

Realizou-se hoje o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões. O Benfica ficou no grupo C, juntamente com Atlético Madrid, Galatasaray e FC Astana. Acabou por ser um sorteio bem simpático para o Benfica.

 

 

Atlético Madrid

 

Do pote 2 calhou em sorte o Atlético Madrid, clube que irá voltar ao Estádio da Luz onde perdeu a final de 2014 para o Real Madrid.

 

A equipa de Simeone fez algumas mudanças no plantel para esta época. Entraram jogadores bem conhecidos do público em geral, como Jackson Martínez, Yannick Ferreira Carrasco, Vietto e Filipe Luís. Óliver Torres também regressou ao plantel, depois do empréstimo de um ano ao FC Porto. Saíram peças importantes da equipa colchonera. Miranda, Mário Suárez, Arda Turan e Mario Mandžukić foram transferidos. 

 

Na primeira jornada do campeonato venceram o Las Palmas em casa por 1-0. É uma equipa bastante forte que o Benfica vai encontrar. São muito agressivos em campo, muito fortes nas bolas paradas, conseguem tanto jogar um jogo mais de posse como baixar o bloco e jogar em contra-ataque, têm grandes jogadores mas é o colectivo que faz a força. É uma equipa à imagem de Diego Simeone, um dos melhores treinadores da Europa.

 

Na baliza não deverá haver rotatividade, o dono do lugar é o nosso conhecido Jan Oblak, um dos melhores guarda-redes do mundo e dispensa apresentação. A defesa titular sofreu duas alterações para esta época. Filipe Luís regressa para ser o lateral esquerdo titular e José Giménez, um dos melhores jovens centrais do mundo, vai fazer companhia a Godín no centro da defesa. Juanfran continuará intocável na direita. No meio-campo haverá alguma rotatividade. A dupla de médios centro pode variar muito, mas Tiago e Gabi partiram para a época como titulares. Koke é um jogador muito versátil e que joga bem em todo o lado, podendo começar na esquerda e depois procurar outras zonas do terreno. Óliver Torres parece ter ganho a confiança de Simeone, jogando descaído na direita e procurando zonas interiores, deixando o corredor aberto para as constantes subidas de Juanfran. Na frente poderemos ter como dupla de avançados Griezzman e Jackson Martínez. O avançado colombiano dispensa apresentações, todos o conhecemos. Griezmann é um dos jogadores em foco no futebol europeu. Jogador muito versátil, bom tecnicamente, chuta bem e aparece bem em zonas de finalização. É um autêntico perigo à solta no ataque.

 

Saúl Ñiguez, Raúl Garcia,Yannick Ferreira Carrasco, Fernando Torres, Vietto e Ángel Correa são soluções muito boas que Simeone tem para utilizar e podem muito bem estar na equipa titular que o Benfica defrontará. É um plantel muito forte, terá um 11 titular sempre bem acima da média, jogue quem jogar.

 

 

Galatasaray

 

O Galatasaray, campeão turco, foi a equipa sorteada do pote 3. O Benfica volta assim à Turquia, onde em 2013 defrontou o Fenerbahce nas meias-finais da Liga Europa.

 

A equipa é treinada por Hamza Hamzaoglu, um treinador respeitado na Turquia e com uma carreira sustentada até chegar ao Galatasaray. Foi campeão da 2ª divisão Turca em 2011/2012, subindo o Akhisar à Superliga. No ano seguinte, em 2012/2013, começam a época como os bombos da festa e surpreendem ao continuar no principal escalão sofrendo poucos golos e fazendo uma época relativamente tranquila. É um treinador pragmático que gosta de futebol apoiado, toque curto e sectores compactos. Chegado ao Galatasaray em Dezembro de 2014 é campeão na primeira época, depois de lutar pelo título com Fenerbahce e Besiktas, não cedendo à pressão. É um treinador que se mexe bem no lançamento dos jogos, tendo já inclusivé mandado uma pequena alfinetada ao Benfica, dizendo que 'é um grupo relativamente fácil.Para esta época, a equipa turca também mexeu no seu plantel. Chegaram jogadores como Lukas Podolski, José Rodríguez , Bilal Kisa, Jem Karacan e Lionel Carole, jogador que já pertenceu aos quadros do Benfica. Bruma, Pandev e Amrabat foram as saídas mais importantes.

 

Não começaram bem o campeonato mas ganharam a Supertaça. Nas duas primeiras jornadas, cederam um empate fora de portas e perderam o outro jogo em casa. São uma equipa que não defende muito bem, sofrendo muito golos. Os centrais têm fragilidades, podendo o Benfica aproveitar isso. São também uma equipa agressiva. O ataque é o ponto mais forte da equipa, com jogadores como Podolski ou Yilmaz, apoiados por Sneijder. Vai ser difícil jogar na Turquia, o ambiente é muito complicado, sendo o maior handicap para as equipas que lá vão jogar.

 

Muslera, o habitual titular da selecção do Uruguai, é o dono da baliza. Na lateral esquerda joga Alex Telles, um dos jogadores mais em foco e que tem chamado a atenção de grandes clubes europeus, como o Chelsea. A dupla de centrais tem sido composta por Chedjou e Balta, com Sarioglu a lateral direito. Inan é quase que intocável no meio-campo, podendo Kisa, José Rodríguez ou Filipe Melo jogar junto a ele. Podolski jogará muitas vezes descaído numa das alas ou até jogando a avançado. Yasin Oztekin é um médio que joga na direita. Yilmaz joga na frente de ataque, podendo jogar sozinho ou acompanhado. Bulut, apesar de não ser um titular absoluto, salta quase sempre do banco para entrar, sendo por vezes escolhido para o 11. Todo o ataque é alimentado por Sneijder, que todos conhecemos o que vale. O ataque é versátil e com várias soluções possíveis, podendo ser alterado de jogo para jogo.

 

Também é provável que a equipe turca ainda se reforce até ao fecho do mercado. 

 

 

FC Astana

 

O outsider do grupo chega do Cazaquistão, tendo sido a equipa sorteada do pote 4. É o campeão em título daquele país. O FC Astana chega a esta fase de grupos após eliminar o Maribor, HJK e APOEL nas pré-eliminatórias, com alguma surpresa. É treinado por um antigo jogador do Campomaiorense, Stanimir Stoilov.

 

Este clube foi apenas fundado em 2008 com o nome de Lokomotiv Astana, e só em 2011 passou a ser chamado de FC Astana. Tem sido investido dinheiro no clube através de empresas de gás natural, petróleo, urânio e aviação. Têm mesmo um estádio super moderno, com capacidade para 30 mil pessoas. Estão neste momento em 2º lugar do campeonato, mas com menos um jogo. É uma equipa que tem sofrido poucos golos, e só na vitória de 4-3 frente ao HJK isso não aconteceu. Nos restantes 5 jogos, sofreram apenas 3 golos. O treinador mexe pouco no 11 titular, jogaram quase sempre os mesmos jogadores nas eliminatórias.

 

Para quem acompanhou o recente mundial de Sub-20, não se esquecerá certamente de Nemanja Maksimovic, uma das peças chave da campeã Sérvia, que bateu na final o Brasil. Este médio joga no Astana e marcou o golo que deu o apuramento na eliminatória com o APOEL. Kéthévoama é outro nome em destaque. O camisola 10 da equipa é forte tecnicamente, rápido e com bom pontapé de longe. O capitão Nuserbayev joga na frente de ataque mas dá muitas vezes o lugar a Kabananga durante os jogos, que entra sempre para mexer com o jogo. Patrick Twumasi é um jogador que esteve muito bem nas primeiras duas eliminatórias, mas depois levou vermelho contra o HJK e não jogou contra os cipriotas.

 

 

Penso que o Benfica tem condições para passar o grupo. Será obrigatório fazer os 6 pontos contra o Astana, não se podendo perder pontos nos jogos contra a equipa mais fraca. Galatasaray em casa também é para ganhar, já que fora será sempre muito complicado. Jogos contra o Atlético serão muito difíceis, pois a equipa espanhola é a melhor do grupo, como todos sabemos. A ordem dos jogos foi favorável ao Benfica. Receber logo o Astana é uma oportunidade para se adiantar no grupo, e pode ser que no último jogo o Atlético já venha ao Estádio da Luz relaxado e com a passagem no bolso. É preciso que a equipa jogue muito mais do que tem feito até agora, pois a continuar assim a passagem para a próxima fase será muito mais difícil. 

 

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publicado às 00:09

Renato Sanches o 8 do futuro

por R_9, em 22.08.15

 

Renovou ontem contrato com o Benfica, aquele que pode ser no futuro - ou até no presente - o grande médio centro do Benfica. Após ter feito 18 anos recentemente, ainda ser júnior e ser titular na equipa B, Renato Sanches renovou contrato até 2021.

 

Renato é um jogador que não tem passado despercebido a quem acompanha as camadas jovens do Benfica. Desde cedo deu nas vistas e sempre houve alguma gente - pouca - a defender que Renato deveria saltar escalões. Deveria estar num escalão acima do que a idade dele corresponde, porque a qualidade dele era bem superior às dificuldades que encontrava, num nível superior e com dificuldades maiores ele evoluiria mais.

 

Recorde-se que quando Luís Norton de Matos era treinador do Benfica B, quis levar o Renato para essa mesma equipa B, sendo ele ainda juvenil de 1º ano, mas isso não foi possível. Também, os responsáveis dos escalões de formação da Alemanha, disseram um dia que Portugal deveria ter jogadores muito bons na 1ª Liga, para o Renato ainda não estar a jogar lá. A ideia normalmente denominada de queimar etapas, era muito criticada em Portugal, mas parece que finalmente as pessoas começam a perceber que em muitos casos isso é o melhor, e só tem de ser feito para o bem de alguns jogadores.

 

Olhando mais para aquilo que é o jogador, ele é o protótipo quase perfeito do que é o médio centro do futebol moderno, aquele 8 evoluído e que enche o campo. É capaz de jogar num meio-campo com 2 ou 3 jogadores, sem grandes problemas. Tem uma capacidade física fantástica, capaz de dividir lances com jogadores muito mais velhos que ele, andando o jogo todo em alta rotação, subindo ou descendo no terreno vezes sem conta. Uma das suas melhores capacidades, é a forma como é capaz de progredir em velocidade com a bola, queimando as linhas adversárias. É um jogador criativo, e que gosta de chegar à área adversária, criando desequilíbrios.

 

É bastante agressivo - no bom sentido - na forma como reage quando perde a bola. Por vezes ainda falha alguns passes, mas este ano até apareceu melhor nesse capítulo nos dois jogos que disputou. Chuta bem de longe, tendo um remate forte. Tem boa capacidade posicional no campo, e a forma como faz a transição defensiva é bastante assinalável.

 

Onde precisa de melhorar é na tomada de decisão. Algumas vezes ainda demora demasiado tempo a pensar e depois acaba por não tomar a melhor opção. Com esta chegada ao futebol sénior, isso tem de melhorar, pois já percebeu que tem de ser muito mais rápido a pensar e decidir-se, ao contrário do que acontecia na formação.

 

Já se diz que Renato Sanches vai passar a fazer parte do plantel da equipa A. Eu ainda acho que o Benfica deve contratar um número 8, mas um jogador que entre de caras na equipa e que não venha para fazer número. Se isso não acontecer, eu não vejo ninguém com melhor capacidade no plantel do Benfica que o Renato para fazer a posição que foi desempenhada por Pizzi na abertura da Liga. Por tudo o que descrevi em cima, é o jogador mais capaz para assumir esse lugar na equipa principal. Sim, sei que ele ainda é júnior, mas a idade futebolística que ele tem, está bem acima da sua idade real. Por exemplo, comparando com Pizzi que foi o titular, só o vejo a perder na capacidade de passe e nas bolas paradas, nas funções do número 8.

 

Acho-o parecido a Enzo Pérez, quando o jogador argentino fazia aquele lugar no Benfica. Aquela capacidade de recuperação, de progredir com a bola, de jogar entre linhas, de aparecer a desequilibrar, faz lembrar muito o que Enzo fazia. Para os que ainda se lembram daquele rapaz chamado Manuel Fernandes que apareceu no Benfica, também terão aqui uma boa medida de comparação, porque são jogadores com algumas características em comum.

 

Passemos a alguns lances de Renato Sanches nestes dois jogos e que demonstram o que ele é como jogador.

 

Capacidade de recuperar a bola, de percorrer muitos metros com ela em progressão, dividindo depois fisicamente o lance e ganhando ao seu adversário.

 

 

Lance em que vai buscar a bola perto da linha, consegue progredir com a bola no pé, tirando depois o adversário da frente e entregando ao colega.

 

 

Capacidade de pressão e recuperação. Entrega a bola ao colega fazendo logo o movimento para receber e dar continuidade à jogada. Cabeça levantada e passe para o extremo que se desmarcava. Esta jogada deu golo.

 

 

O tal problema que ele às vezes ainda enfrenta na tomada de decisão, mas repare-se que não fica parado, tentando recuperar logo a posição.

 

 

Neste lance vemos como é rápido a perceber que o seu lateral está sozinho na ala. Parte logo em velocidade, passando pelas costas dele e criando a dúvida no defesa, entre sair na bola ou fazer a contenção para um possível passe. O lateral adversário acabou por ir recuando, dando espaço para o remate. 

 

 

Um exemplo do forte remate de que ele é capaz.

 

 

Boa capacidade de passe longo demonstrado nesta jogada.

 

 

Recuperação de bola, bom passe para o colega, e depois a velocidade com que progride no terreno para criar desequilíbrios, a uma velocidade superior a todos os restantes.

 

 

Aos 89 minutos, ainda consegue fazer este sprint para tentar pressionar o guarda-redes após perder uma bola.

 

 

Caso jogue pela equipa A, vai errar algumas vezes, mas vai aprender com os erros e tornar-se um jogador melhor. Não se pense que ele vai chegar lá, fazer tudo bem e resolver os problemas todos da equipa, porque não vai. Irá é ajudar e dar mais soluções. Na posição que ocupa, Renato é um dos melhores do mundo com a sua idade, ainda com margem para crescer mais e mais. Não tenho dúvidas que caso corra tudo dentro do normal, o Benfica terá aqui um jogador que será dos melhores jogadores do país e até bem mais que isso. 

 

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publicado às 13:39


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