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Análise ao Benfica vs Besiktas

por P1nheir8, em 16.09.16

 

Terça-feira foi noite de estreia para o Benfica na Liga dos Campeões. O adversário era o Besiktas, campeão turco e já analisado por mim, aqui no blogue. Para este jogo, Rui Vitória voltou a estar privado de vários jogadores importantes devido a lesão. Quem também estava privado de aparecer no banco de suplentes, era o próprio treinador do Benfica, devido à expulsão no jogo contra o Bayern, na época passada. Para este jogo, o Benfica entrou com o seguinte 11: Ederson, Nelsinho, Lisandro, Lindelof, Grimaldo, Fejsa, André Horta, Salvio, Pizzi, Cervi e Gonçalo Guedes.

 

O Besiktas entrou no jogo com a equipa completamente na retranca e preparada para a busca pela profundidade. Senol Günes deixou no banco Gökhan Gönül e apostou em Beck para a lateral direita, privilegiando a defesa, e um lateral que desse mais segurança e atacasse menos. Do lado esquerdo, nada surpreendente a aposta em Adriano para essa lateral, mas pelo contrário, a aposta em Caner Erkin (lateral de origem) para médio esquerdo foi algo imprevista. No meio-campo, um duplo pivot constituído por Hutchinson e Inler, dois jogadores de características defensivas, tendo depois Oğuzhan Özyakup na sua frente (jogador que também gosta de descer para ter bola). Na frente de ataque, entrou Aboubakar, um jogador mais móvel e que dá mais garantias que Tosun na busca do espaço nas costas da defesa. Quaresma foi obviamente titular, dando a amplitude o Besiktas tanto utiliza. Ou seja, dos jogadores mais influentes neste início de época, e que muito dão em termos ofensivos, ficaram no banco. Falo de Tolgay Arslan, Olcay Şahan e Cenk Tosun.

 

O jogo nesta primeira parte foi muito morno e sem grandes motivos de interesse. O Besiktas teve mais bola do que se esperaria, também muita dela concedida pelo Benfica. Desde cedo, Ederson tentou surpreender a defesa turca com o seu pontapé longo, mas depois da primeira tentativa em que estavam adiantados, nunca mais foram surpreendidos.

 

A equipa turca teve mais bola no início e pressionou mesmo algumas vezes a construção do Benfica, o que dificultava a saída a jogar desde trás. Algo em que o Benfica esteve bem desde início do jogo, e que se prolongou até ao final dos primeiros 45 minutos, foi a rápida reacção à perda, fechando logo os espaços e impedindo as tentativas de transição do Besiktas, onde eles são muito perigosos.

 

O Benfica, contudo, não conseguiu criar muitos lances de perigo e, em organização ofensiva, apenas um foi criado: o remate cruzado de Guedes para defesa de Tolga Zengin. Devido às características dos jogadores da frente, existia muita mobilidade no ataque, mas havia pouco espaço para ser explorado, já que a defesa do Besiktas esteve sempre num bloco médio e que tentava encurtar os espaços. Também nunca aproveitámos as saídas de posição dos elementos da defesa deles atrás das referências e que depois abriam espaços.

 

Nenhuma equipa teve grandes oportunidades nesta primeira parte. O Benfica marcou num passe para a profundidade, teve mais um ou outro lance que podia ter sido melhor aproveitado, mas não passou muito disso. A equipa turca também pouco perigo conseguia criar. O corredor central esteve sempre fechado pelo Benfica e por fora os turcos também nada conseguiram. Defesa do Benfica quase sempre alta no campo, linha defensiva a tirar vários fora-de-jogo e poucas vezes espaços abertos. Fejsa e Horta a conseguirem fechar os espaços e a estarem quase sempre bem posicionados.

 

Como é habitual, o Benfica colocava muitos jogadores a construir, mesmo que o Besiktas muitas vezes não tivesse pressionado. Não havia grande risco, os médios baixavam e vinham buscar a bola no pé dos centrais.

 

Pizzi partia da esquerda para o meio, o que deixava espaço para Grimaldo aproveitar, mas o lateral não tinha muitas ordens para atacar, já que tinha Quaresma no seu corredor o que o prendia bastante atrás. Salvio, no outro corredor, também vinha para dentro, criando alguns desequilíbrios, mas que depois eram inconsequentes. 

 

Individualmente, boas exibições de Fejsa e André Horta no meio-campo, conseguindo estar quase sempre bem posicionados e fazendo boas coberturas. Bom passe de André Horta no lance do golo de Cervi.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A 2ª parte trouxe um Besiktas ainda com mais bola e com o Benfica a recuar mais no terreno. A defesa tentava muitas vezes empurrar as linhas de médios e avançados mais para a frente, mas o que é certo é que isso não era conseguido. A equipa já não conseguia subir, os médios encostavam-se aos defesas e a linha defensiva recuava metros no relvado comparativamente ao que fizeram na primeira parte. Com a entrada de Talisca, os campeões turcos conseguiram ganhar alguém que estivesse mais próximo de Aboubakar e se colocasse junto à linha defensiva do Benfica.

 

Notava-se já que o Benfica não conseguia pressionar alto, que a reacção à perda era muito mais fraca e cada vez que subiam um pouco no terreno, havia problemas para depois voltar atrás, o que abria espaços entre os sectores. Mesmo assim, ainda existiram algumas situações que poderiam ter sido aproveitadas de outra maneira, devido ao espaço existente, mas depois as más decisões acumularam-se, assim como as iniciativas individuais em vez das combinações.

 

A partir de uma certa altura, o Benfica deixou de tentar pressionar o adversário, baixando as linhas e dar a iniciativa total ao Besiktas, mas os turcos demonstravam também uma falta de ideias tremenda em fazer algo. Mesmo tendo bola, batiam sempre longo a partir de uma certa zona do campo e não haviam soluções sem serem essas. Porém, algumas vezes criavam situações de igualdade numérica em zonas perigosas e que poderiam ter custado muito caro ao Benfica.

 

A 1ª fase de construção, deixou de ter soluções. Os centrais, quando eram pressionados, raramente tinham linhas de passe e a solução era sempre a mesma: colocar em Ederson para ele bater longo. Mesmo quando havia linhas de passe com a bola no guarda-redes ou poderiam ser criadas, Ederson batia longo. Os defesas do Besiktas ganhavam esses lances todos, até porque na frente de ataque do Benfica, não havia nenhuma referência e são todos jogadores muito baixos.

 

Com o acumular de jogadores atrás, o Benfica deixou de conseguir sair em transições ofensivas, já que Guedes estava normalmente sempre sozinho no ataque. Com a entrada de Samaris para junto de Fejsa e a subida de André Horta, a equipa encarnada conseguiu ter alguns momentos com bola no ataque e meio-campo, retirando a iniciativa aos turcos, mas que de nada resultou. Notou-se desgaste de determinados jogadores em campo, mas as substituições que seriam de esperar não aconteceram.

 

Guedes teve nos pés a ocasião de matar o jogo, mas acabou por permitir uma excelente defesa ao guarda-redes adversário. Quem não marca sofre e acho que, nós todos, quando vimos a mão de Celis e Talisca a pegar na bola, imaginámos o desfecho. Infelizmente, isso veio a acontecer e mesmo no fim aconteceu o empate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar das muitas baixas no Benfica, continuo a achar que esta equipa do Besiktas estava completamente ao alcance do Benfica. Têm qualidade individual, mas o que jogam é muito pouco. O problema é que o Benfica também não anda a jogar muito melhor, o que torna as coisas complicadas.

 

Acho que neste jogo faltou uma coisa: liderança no banco. Rui Vitória fez falta, escolhendo mal ou bem as substituições, teria assumido o que poderia fazer. Pareceu-me que Arnaldo Teixeira teve sempre receio de assumir mexidas, mesmo com a equipa bastante desgastada em campo e a ter dificuldades em recuperar. Depois toda a gente no banco falava, todos se levantavam e nem sei o que parecia aquilo. É certo que se aquele remate de Guedes tivesse entrado, supostamente estaria tudo bem, mas a equipa colocou-se a jeito com o recuo das linhas e o dar a bola constantemente aos adversários.

 

Havia Carrillo no banco, mas não foi opção. Mesmo José Gomes poderia dar à equipa uma referência para segurar a bola no ataque e colocar a defesa turca mais em sentido, mas isso não aconteceu. Vimos Pizzi a arrastar-se em campo a partir de uma certa altura, Salvio já a "pedir" a substituição desde os 50 minutos, mas a fazer os 90 minutos. Depois, quanto mais cansado está, mais tem a tendência em assumir acções de 1x1, onde as acaba por perder invariavelmente. Celis não pode ser inocente àquele ponto, especialmente num momento tão perto do final da partida.

 

A linha defensiva, apesar de ter tirado vários lances de fora-de-jogo na primeira parte, transparece uma ansiedade e nervosismo patentes, isto depois de se ter apresentado tão bem na pré-época, o que é difícil de perceber. Outra coisa onde a equipa não tem estado muito bem, é na pressão alta. Facilmente o Besiktas conseguia sair a jogar, ou porque não havia pressão alta, ou porque era ineficiente. Tendo em conta a dificuldade da equipa em criar lances de perigo, a recuperação de bolas em zonas altas poderia ser uma grande vantagem, mas é preciso perceber que movimentos fazer e não abrir enormes espaços entre os jogadores que pressionam e os de trás.

 

Os jogadores dos corredores laterais, continuam a fazer muitos movimentos interiores, mas acabam por ser depois movimentos individuais, sem uma rede de apoios, o que leva à perda de bola. Também alguns jogadores, que têm jogado nas alas, privilegiam essas iniciativas e o vir dentro para ir depois fora com a bola, não ajuda em nada. Os médios centro, nestes casos, para pouco ou nada servem, já que andam a fazer piscinas para trás e para a frente.

 

Este foi um empate que pode comprometer um apuramento, até porque de seguida vamos jogar contra aquela que é, para mim, a equipa mais forte do grupo: o Nápoles de Maurizio Sarri. Faltam muitos jogadores a Rui Vitória, eu percebo isso, e sei que é muito difícil esta situação, mas a equipa também tem de dar mais. Não se pode submeter ao domínio do Besiktas durante 45 minutos em que passou muito tempo a mandar charutos de Ederson para o ataque.

 

Depois as lesões. Começa a ser algo incompreensível. Eu sei que algumas delas não há culpa de ninguém do Benfica, aconteceram devido a algo externo e que não se pode controlar. O que se pode controlar são situações como a de Jonas e Jardel. Jonas jogou lesionado na Madeira, como todos percebemos isso, e agora teve uma recaída. Isso não pode acontecer, alguém tem de assumir esta situação. Assim como Jardel jogou em Arouca sem estar a 100%, e agora voltou a lesionar-se de novo e já não conseguiu jogar na terça-feira. Um plantel destes, com tantas soluções, e andamos a forçar a utilização de determinados jogadores ainda em Setembro.

 

Segunda iremos receber o Braga, num jogo que não vai ser fácil, mas não podemos perder pontos. Espero que alguns jogadores recuperem, outros sejam opção inicial e que a equipa consiga responder cabalmente a este empate.

 

*Só foram utilizadas imagens no post para não existir problemas com as operadoras que têm os direitos da Liga dos Campeões. Caso haja algum problema, é só contactarem o blogue por e-mail.

 

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publicado às 22:49


2 comentários

De José Brito a 17.09.2016 às 03:15

Rui Vitória já leva 1 ano e tal de Benfica e parece que voltamos ao inicio da época passada, as lesões não podem justificar tudo.
Continuo achar que não é treinador para o Benfica, e vai precisar muita da ajuda do Rafa, Jonas e Mitro para desbloquear os jogos.

Enfim, temos um presidente que diz que não percebe nada de futebol, lá vamos nós ter de penar mais uns meses.

De Bruno a 17.09.2016 às 11:26

Boas

Não podem ser tiradas responsabilidades a RV por causa das lesões, pelo facto do seu sistema privilegiar as acções individuais. E quando assim é quando não jogam os melhores, mesmo que os seus substitutos sejam superiores à equipa adversária, terá sempre muitas dificuldades para ganhar.

Neste jogo retive dois lances. Um em que o Fejsa e o Lisandro correm desalmadamente para cortar a mesma bola e quase se atropelam sem nenhum jogador da equipa Turca por perto.
Outro em que estavam cerca de 9 jogadores do Benfica dentro da sua área e mesmo assim consegue aparecer um jogador do Besiktas isolado no seu meio.

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