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Análise a Guillermo Celis

por P1nheir8, em 04.07.16

 

Guillermo Celis, proveniente do Junior Barranquilla, foi no passado sábado oficializado como reforço do Sport Lisboa e Benfica para a próxima época. O médio colombiano esteve presente na Copa América, que se realizou no passado mês de Junho, onde a sua selecção conseguiu o terceiro lugar. Celis foi utilizado em quatro jogos e titular em dois deles, somando às duas internacionalizações que já tinha antes de começar a prova.

 

Desde o segundo semestre do ano de 2013 que é quase sempre titular no seu anterior clube, tendo feito mais de 130 jogos ao serviço do Junior. No seu palmarés, conta com uma Copa da Colômbia conquistada em 2015. Para além de ser internacional pela selecção principal, jogou também nos sub23 e nos sub20, participando em 2013 no conhecido Torneio de Toulon.

 

Celis chega ao Benfica num momento em que era elemento fulcral na manobra do Junior. A equipa colombiana jogava com um duplo pivot a par no meio-campo, sendo que Celis era um desses jogadores. Era por ele que passava praticamente todo o jogo da equipa na fase de construção, já que a bola ia quase sempre parar aos seus pés e era ele que decidia o que fazer, quer seja mais atrás ou já perto da linha de meio-campo, onde se colocava muitas vezes no meio dos defesas centrais. Era o elo de ligação entre sectores e quem definia a que ritmo a equipa saía daquela zona e para onde iam jogar. Mesmo que não fosse ele a ter a bola, indicava quase sempre a zona para onde deveriam jogar os colegas de equipa.

 

Sempre de cabeça levantada, mesmo quando não tem a bola para perceber tudo o que o rodeia, prefere jogar em combinações e passes curtos, não arriscando muito e primando pela segurança no passe. Fica sempre aquela sensação que pode e deve arriscar mais por vezes, e não tocar sempre para trás e para o lado. Por vezes, ainda faz passes verticais que quebrem linhas, e onde tem sucesso. Ali costuma ter muito mais tempo e espaço para manobrar, sendo que precisa de ser mais rápido a colocar a bola e imprimir mais ritmo ao jogo. É um jogador móvel, está sempre a dar linha de passe aos colegas de equipa e mesmo que não a receba, abre espaços para serem aproveitados. Pena que naquele sistema está muito “preso” e não tem liberdade para arriscar muito, já que das poucas vezes que se aventura em progressão com a bola, consegue bons resultados e é travado com dificuldade. Apresenta boa relação com a bola, não é tosco nenhum e tem à vontade com ela, gostando de a colocar sempre no chão para jogar rente à relva. Joga preferencialmente com o pé direito, mas quando é necessário também usa o esquerdo.

 

É um jogador forte fisicamente e não é nada fácil ser batido nos duelos corpo a corpo. Não é um jogador lento, e só o é quando quer, já que quando é preciso reage muito rápido e com velocidade. Alterna entre uma passividade extrema sem bola, deixando entrar os passes entre linhas e demorando a recuperar a posição, e uma extrema agressividade na procura da bola. Quando tem a referência da bola perto e sente que é altura de pressionar, é muito incisivo na recuperação. Recupera várias bolas e antecipa-se bem, mas muitas vezes tem de começar a ter mais calma e não cometer excessos nas entradas que faz. Assim como não ir tanto à queima.

 

Posicionalmente, na Copa América (do pouco que consegui ver dos jogos da Colômbia e do que li) agarrou-se sempre ao homem, fazendo marcações individuais cerradas, mas no Junior não era isso que acontecia. Ocupava a zona que lhe estava destinada e não andava a correr atrás de uma referência. No entanto, precisa de perceber melhor em que posição deve estar mediante o lugar da bola e do seu colega de equipa, já que apresenta algumas dificuldades em perceber que local ocupar e muitas vezes demora a fechar o espaço central e a fazer as coberturas. Em transição defensiva, geralmente não é muito rápido, mas quando vê a situação apertada muda totalmente de perfil, recuperando rápido. Assim como quando erra é rápido a tentar recuperar. É uma questão do estímulo presente na jogada, já que parece ter capacidade para fazer as coisas bem muitas vezes.

 

Ganha várias bolas de cabeça na zona intermediária do campo e possuiu um bom pontapé, mas que, por estar sempre mais fixo atrás, é usado poucas vezes. Tem um perfil de liderança forte, e desta forma comandava quase tudo na sua equipa e as suas indicações eram respeitadas pelos seus companheiros.

 

 

 

É ele que comanda a construção da equipa e é sempre procurado pelos colegas de equipa.

 

 


Sempre de cabeça levantada. Mesmo quando não tem a bola, tenta perceber sempre o que o rodeia.

 

 


Muito agressivo nos duelos individuais.

 

 


 


 


 

 

Alguns passes e combinações que faz.

 

 

 

Sempre a dar linha de passe aos colegas de equipa nestas zonas.

 

 


Passivo e deixa a bola entrar entre linhas.

 

 


A lentidão que algumas vezes demonstra em recuperar e fechar o espaço.

 

 


Aqui, a fechar bem o espaço nas costas do outro médio e depois a fechar o espaço para o passe.

 

 

 

 


 


 


 


 


Algumas progressões com bola.

 

 

 

 


Duas antecipações e onde depois entrega ao colega de equipa.

 

 


Demora a recuperar e depois aborda mal o lance.

 

 


Desentende-se e falha o passe, mas depois vai pressionar.

 

 

 

Coloca a bola no chão e combina simples com o colega. Depois de receber sofre pressão e falha o passe, mas reage rápido e vai compensar o erro.

 

 


Tenta fechar uma linha de passe e abre espaço no corredor central, mas de seguida vem rápido fechar a linha de passe e pressionar muito o jogador com bola, fazendo depois falta.

 

 


Primeiro ganha o duelo no ar e depois entra à queima, sendo ultrapassado.

 

 


Vem dar linha de passe e recebe, mas depois falha a entrega.

 

 


 


 


Recuperações de bola.

 

 

Na raça, recupera a bola, sendo rápido a vir dar linha de passe sempre com a cabeça levantada. Apesar de não receber a bola, indica aos colegas para onde devem jogar.

 

 


Recupera no chão e depois fica, não se aventurando na transição ofensiva.

 

 


Passividade ao deixar entrar o passe.

 

 


Um exemplo da forma rápida como pode fazer as transições defensivas.

 

 


Pontapé de ressaca que faz o guarda-redes adversário brilhar.

 

 

Li muita coisa má sobre Celis – que era um jogador muito fraco – mas tenho a opinião contrária. Surpreendeu-me pela positiva e vejo potencial para crescer mais. Tenho curiosidade em perceber como jogará ele ao soltar-se mais, já que tem características interessantes para jogar um pouco mais adiantado e não tão fixo (jogando mais fixo, precisa de crescer posicionalmente) mas para isso precisa de arriscar mais. Ainda tem de crescer em vários aspectos e ser estimulado para fazer coisas para as quais tem capacidade, mas que não as faz. Acho que vai sofrer um pouco com o ritmo mais alto e a ter de pensar e executar mais rapidamente. Porém, considero-o um jogador interessante para o modelo de posse de bola que Rui Vitória quer para o Benfica.

 

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publicado às 17:07


2 comentários

De moleculasdeamorpelobenfica a 04.07.2016 às 18:28

Espero que evolua e seja solução a curto prazo.

De jorgen80 a 05.07.2016 às 12:27

Jogador esforçado.

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